Fiocruz vai receber R$ 10 milhões para estudos contra Aedes aegypti

Anúncio foi feito nesta quinta-feira pela presidenta Dilma Rousseff. Verba será investida pelo Ministério da Saúde

Por O Dia

Rio - Em meio à crise política, a presidente Dilma Rousseff fez uma visita na tarde desta quinta-feira à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, onde anunciou o investimento de R$ 10,4 milhões para o desenvolvimento de estudos no combate ao mosquito Aedes Aegypti. O mosquito é transmissor dos vírus da Zika, dengue e chikungunya.

Deste valor, aproximadamente R$ 4,4 milhões serão exclusivamente para o financiamento de uma vacina contra o vírus Zika. O restante será destinado a projetos de cooperação bilateral para pesquisas de Zika e microcefalia entre a Fiocruz e o National Health, agência de saúde do governo norte-americano.

Em nota distribuída pelo Ministério da Saúde, o governo informou que os investimentos para o desenvolvimento de vacinas e soros para as doenças causadas pelo Aedes Aegypti já ultrapassam R$ 125 milhões.

“O Brasil tem sido protagonista nessa área, e o Ministério da Saúde, desde o início, está dialogando com cientistas nacionais e internacionais, e não poupará recursos para que seja possível desvendar a atuação do vírus Zika e combater, de forma efetiva, seu alcance”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Presidenta Dilma Rousseff visitou Fiocruz nesta quinta-feiraAlexandre Brum / Agência O Dia

Durante o encontro, foram apresentadas à presidente inovações no combate ao mosquito transmissor, como o programa Eliminar a Dengue, que consiste em usar mosquitos com a bactéria Wolbachia como alternativa para o controle das doenças transmitidas pelo Aedes. Quando a bactéria é introduzida no mosquito, ela reduz significativamente a transmissão dos vírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, alertou nesta quinta-feira que a vacina pode chegar tarde demais para ter um impacto real na epidemia na América Latina.

No mês passado a diretora-geral da OMS, Margaret Chanel, esteve na Fiocruz acompanhando as ações desenvolvidas pela instituição. Na época, a Fiocruz informou que a entidade poderia criar uma vacina em cinco anos.

Maior rede de laboratórios

A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro vai ampliar a rede de laboratórios para detecção de zika. Dois laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Hospital Universitário Gafrée e Guinle, ligado à Universidade do Rio de Janeiro, passarão a fazer os testes. Atualmente, a secretaria acompanha 5.660 grávidas com manchas vermelhas no corpo. Os exames de 235 deram positivo para zika. São cerca de 50 casos suspeitos por dia.

“O desafio é ampliar a rede de diagnóstico para agilizar o tempo de retorno dos resultados. Recebemos em torno de 400 amostras por dia e o Laboratório Central (Lacen) tem capacidade de fazer entre 160 e 200 testes. O grande problema é ampliar a capacidade de exames por biologia molecular”, afirmou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe.

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