Dilma não descarta Lula no governo e diz que possibilidade de renúncia é ofensa

Mas ex-presidente recusa ocupar cargo de ministro

Por O Dia

Brasília - Às vésperas das manifestações pelo seu impeachment, a presidente Dilma Rousseff convocou nesta sexta-feira a imprensa para garantir que não renunciará e que nunca chegou a pensar nessa possibilidade desde que chegou ao Palácio do Planalto.

Dilma argumentou que ninguém tem o direito de pedir a renúncia de um presidente que foi legitimamente eleito sem provar que ele tenha desrespeitado a Constituição Federal. “A renúncia é um ato voluntário e aqueles que querem a renúncia estão reconhecendo que não há uma base real para pedir o impeachment. Eu não sairei desse cargo sem que tenha motivo para tanto”, disse. “Agora, por favor, pelo menos testemunhem que eu não estou com cara de quem vai renunciar. Para mim isso é uma ofensa”, concluiu.

Em entrevista no Palácio do Planalto Dilma Rousseff garantiu que nunca pensou em renunciar Agência Brasil

Na entrevista, Dilma afirmou ainda que teria o “maior orgulho” em ter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu governo como ministro e criticou o pedido de prisão preventiva do Ministério Púbico a Lula. Para ela, o pedido “passou de todos os limites”. Ela pediu serenidade nas manifestações de domingo. Ela pediu serenidade nas manifestações previstas para amanhã em todo o país.

A aliados, Lula confidenciou que já rejeitou duas vezes o convite da presidente para integrar seu ministério. A mais recente recusa, segundo um de seus interlocutores, aconteceu nesta sexta pela manhã. O raciocínio de Lula é que, sua ida para um ministério, poderia ser um “abraço de afogados”. Para o ex-presidente, a crise não será resolvida apenas com sua chegada ao ministério sem que haja uma profunda mudança na equipe econômica.

Não renuncio. Ninguém tem o direito de pedir a renúncia de um presidente legitimamente eleito pelo povo sem dar...

Publicado por Dilma Rousseff em Sexta, 11 de março de 2016


O discurso vem dois dias antes dos primeiros grandes protestos do ano pedindo o impeachment de Dilma, marcados para domingo, um ano depois dos maiores atos dos anti-petistas registrados até hoje. Há expectativa de conflitos entre manifestantes oposicionistas e militantes pró-PT, o que levou a PM em vários Estados do País a reforçar seus efetivos de segurança. 

Demora sobre pedido de prisão

Em despacho divulgado à tarde pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a juíza responsável pelo julgamento do pedido de prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão sobre o requerimento “demandará algum tempo”.

No despacho, a juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira argumentou que a denúncia relativa a Lula é “processo de elevada repercussão social, em que há acusações contra ex-presidente da República e requerimento de medidas cautelares sérias”.

Maria Priscilla escreveu que a acusação feita pelos promotores do Ministério Público possui 36 volumes. Segundo ela, a análise da viabilidade da acusação e dos pedidos de prisão de denunciados requer “detida apreciação de todo o material apresentado, o que demandará algum tempo”.

A juíza afirmou ainda que a divulgação do despacho era necessária, apesar de a denúncia estar em segredo de Justiça, “para elucidar à população o andamento do feito que terá seu curso no estrito termo da Lei”.

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