Quase 40% das mulheres negras ativas trabalham em situações precárias

Relatório do MTPS mostrou ainda que, apesar de aproximação salarial, homens continuam tendo a maior remuneração

Por O Dia

Brasília - Um relatório divulgado pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), na manhã desta sexta-feira, mostrou que 39,08% das mulheres negras ocupadas estão submetidas a relações precárias de trabalho. De acordo com o documento, esse número revela que esse grupo de profissionais continua sendo a "base do sistema remuneratório e é sujeito preferencial das piores ocupações, convergência da tríplice opressão de gênero, raça e classe". Já em relação aos homens negros, a porcentagem é de 31,6%; 26,9% são mulheres brancas e 20,6% homens brancos. 

Os dados foram apresentados na mesma sessão em que o ministro do MTPS, Miguel Rosse, lançou o programa "Mulher Trabalhadora", que, entre os objetivos, pretende promover ações para ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho; dar continuidade à política de valorização do salário mínimo no longo prazo; promover a capacitação delas e estudos comparativos; e criar ações para ampliar os direitos das profissionais.

Com o mesmo nome do programa, o levantamento analisou o período entre 2004 e 2014 e revelou que houve pouco crescimento da presença de mulheres — média entre brancas e negras — no mercado de trabalho nestes anos. Segundo o estudo, em 2005, 59% delas tinham um emprego; em 2011, 56%; e em 2014, 57%. Os homens continuam sendo a maioria nas empresas, com um percentual de 80%.

Homens ainda têm maior salário

Em relação à remuneração, o relatório mostrou que, em 2014, as mulheres ultrapassaram pela primeira vez o patamar de 70% da renda masculina — há 10 anos, esta proporção era de 63%. Mas essa realidade não é igual para as mulheres negras. O documento ressalta que elas ainda não alcançaram 40% da renda dos homens brancos.

Apesar da aproximação dos rendimentos, o levantamento destaca que esse movimento se "dá de forma ainda lenta e desigual entre os grupos". Os homens continuam tendo o maior média de salário: R$ 1.831 contra R$ 1.831. Já as negras, em 2014, tinham um piso salarial de R$ 946, e os homens brancos, R$ 2.393.

Além disso, o estudo também analisa a população inativa, que não está inserida no mercado de trabalho brasileiro. Segundo o documento, 78% dos homens sem emprego vivem com cônjuges, enquanto esse número é de 69% para as mulheres. No entanto, neste grupo, dois terços delas ainda têm filhos contra 45% dos homens.

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