Janot vai decidir sobre abertura de inquérito para investigar Dilma

Delação pode abrir também frentes que miram o vice-presidente Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Aloizio Mercadante e o senador Aécio Neves

Por O Dia

Brasília - A Procuradoria-Geral da República avalia a abertura de um novo inquérito da Lava Jato para investigar a presidente Dilma Rousseff. Em delação premiada, o senador e ex-líder do governo Delcídio Amaral (PT-MS) relatou que a petista tentou interferir nas investigações por meio do Judiciário. A delação de Delcídio pode abrir também frentes de investigação que miram o vice-presidente da República, Michel Temer, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Aloizio Mercadante e o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

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No caso da presidente Dilma Rousseff, a possível investigação seria por tentativa de obstruir as investigações pela indicação do desembargador Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) com intuito de liberar executivos da prisão.

Ao narrar a tentativa de interferência do Planalto, Delcídio menciona, além do próprio Navarro e da presidente, os nomes do atual ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, e dos presidentes do STJ, Francisco Falcão, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

O grupo de trabalho ligado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve se debruçar nos próximos dias sobre a delação do senador para definir quais fatos têm indícios suficientes para gerar pedidos de abertura de inquérito ao STF.

Delcídio afirmou que Dilma se mostrou preocupada com o "compromisso" de Navarro antes de nomeá-lo ministro do STJ. Por conversas anteriores, segundo o delator, “ficou bastante claro que o objetivo imediato era de liberação das pessoas mais importantes presas”.

Propina de Furnas 

Acusado pelo o ex-líder do governo Delcídio do Amaral de receber pagamentos ilícitos de Furnas e de ter atuado para maquiar dados do Banco Rural obtidos pela CPI dos Correios, o senador tucano Aécio Neves (MG) chamou de “absurdas e requentadas”. Segundo ele, as denúncias são antigas e a chamada Lista de Furnas foi a “maior fraude política” já elaborada no país.

Mas depois da delação de Delcídio, Aécio deve passar a ser investigado formalmente na Operação Lava Jato. O caso ainda será analisado pelos procuradores do grupo de trabalho da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República (PGR). A acusação relativa à CPI dos Correios é considerada a mais contundente e tem indícios capazes de gerar um pedido de abertura de inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Mesmo depois das denúncias contra ele, Aécio afirmou que continuará com o movimento pelo impeachment da presidente Dilma Roussef. “Além de absurdas e requentadas as citações ao meu nome, quero dizer que é preciso que se aprofunde a investigação de todas as citações. É isso que vai separar o verdadeiro do falso. Esse assunto já habitou o submundo dos sites petistas nos últimos anos. A lista de Furnas talvez seja a maior fraude da política brasileira nos últimos anos e já teve seu autor condenado”, disse Aécio.

“Na verdade não é uma, são inúmeras listas de Furnas, para todos os gostos, constituída para chantagear determinados agentes políticos, inclusive do PT. Sou o maior interessado em que tudo isso seja esclarecido. Será um atestado de idoneidade que receberei.

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