Advogado de Lula diz que grampo 'foi arbitrariedade muito grande'

'Não é papel do judiciário gerar convulsão social', disse Cristiano Zanin

Por O Dia

Brasília - O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, disse que foi "uma arbitrariedade muito grande" e um fato que está "estimulando a convulsão social" a divulgação de um grampo telefonônico entre Lula e Dilma, na noite desta quarta-feira. "A divulgação de um grampo envolvendo a presidenta da República é um fato muito grave. Não é papel do poder judiciário gerar convulsão social", disse o advogado.

A conversa entre Lula e Dilma foi gravada com autorização do juiz Sergio Moro, da Operação Lava Jato. O grampo foi no telefone do ex-presidente, investigado na operação. Na conversa, Dilma avisa que está enviando um emissário com o termo de posse (como ministro da Casa Civil) para ele usar em caso de necessidade. Segundo a oposição, a conversa evidencia que Lula assumiu um cargo no governo apenas para ter foro privilegiado e ser julgado no Supremo Tribunal Federal, caso venha a ser réu em algum processo.

O juiz Sergio Moro quebrou o sigilo da Operação Lava Jato horas após o anúncio oficial da nomeação de Lula como ministro da Casa Civil. Cerca de 2 mil manifestantes estão em frente ao Palácio do Planalto. No plenário da Câmara dos Deputados, um grupo de parlamentares da oposição gritou pedido de renúncia da presidenta.

O advogado do ex-presidente defendeu que não houve obstrução de justiça porque Lula não é réu. "Não houve nenhuma tentativa de obstrução. Hoje a competência é do STF em qualquer hipotética ação. Não se pode falar em obstrução porque Lula não é réu em nenhuma ação. Isso não é privilégio, é inerente ao cargo"

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