BrasÃlia - Os delegados de PolÃcia Federal manifestaram nesta quarta-feira, "total indignação e repulsa" diante do conteúdo de grampos da Operação Aletheia, desdobramento da Lava Jato que pegou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os delegados miram no novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, que teria revelado intenção de interferir nas ações da PF.
Em nota, a Associação Nacional dos Delegados de PolÃcia Federal (ADPF) destaca trechos das interceptações de conversas do ex-presidente "a respeito do subprocurador-geral da República, Eugênio de Aragão, recém-nomeado para o cargo de Ministro de Estado da Justiça".
"Na gravação, já tornada pública pela 13.ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, fica claro a intenção de que o nomeado interfira nas ações da PolÃcia Federal."
"É lamentável constatar que agentes públicos, que deveriam agir com imparcialidade, transparência e moralidade, para a garantia da aplicação da Constituição Federal e das Leis, queiram praticar atos de ingerência polÃtica numa das mais importantes investigações em curso no paÃs", assinalam os delegados.
A nota diz que a Associação Nacional dos Delegados de PolÃcia Federal "já havia alertado sobre o risco de interferência polÃtica na PolÃcia Federal em razão da falta de autonomia da instituição".
"Restou comprometida, desta forma, a indicação de Eugênio Aragão para o cargo de Ministro da Justiça, diante da demonstração de que teve por finalidade controlar as ações da PolÃcia Federal."
Os delegados, "ante esses estarrecedores fatos", reiteram urgência da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 412/2009 (PEC 412/2009), que estabelece a autonomia para a PolÃcia Federal, "garantindo que continuará a atuar de forma republicana e firme no combate ao crime organizado e à corrupção".