Semana Santa tensa para governistas e oposicionistas

Pesquisa mostra diferença de apenas um voto na comissão de deputados que analisa o impeachment presidencial

Por O Dia

Rio - Petistas apostam que a Semana Santa será a da ressurreição do governo após as fortes manifestações de sexta-feira. Já os oposicionistas dizem que será a temporada da crucificação depois da inesperada decisão do ministro do Supremo, Gilmar Mendes que, na noite de anteontem cancelou a posse do ex-presidente Lula na Casa Civil e o devolveu para as garras do juiz Sérgio Moro.

Independentemente das preferências políticas os próximos dias serão decisivos para o governo. E, como não haverá sessão do Supremo Tribunal Federal até 28 de março, o debate da crise política ficará concentrado no Congresso Nacional, onde o processo de impeachment está sob análise dos 65 parlamentares que formam a Comissão Especial.

INFOGRÁFICO: Votação apertada na comissão que analisa o impeachment 

Pesquisa realizada na quinta-feira pela consultoria política Arko Advice entre os 65 parlamentares que integram especial da Câmara sinaliza que a disputa será acirradíssima. O levantamento registra 32 deputados a favor do impeachment, 31 contra e dois indecisos. “Esse quadro pode mudar muito rapidamente. Entre os dias 15 e 17 de março fizemos uma enquete com 100 deputados de 23 partidos políticos e que 62% acreditam que a Câmara aprovará o impeachment. Em fevereiro, esse percentual era de apenas 24,5%”, explica o cientista político Murilo Aragão, diretor da Arko. “Em apenas três semanas, o resultado quase triplicou”, completa Aragão.

Plenário da Câmara deve analisar impeachment de Dilma em 30 diasEFE/SERGIO DUTTI

PRESSA

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) está empenhadíssimo em acelerar o julgamento e liquidar o caso em 30 dias. Cunha promete que amanhã haverá sessão no plenário e que, portanto, será a segunda de um prazo total de dez até a apresentação da defesa da presidente Dilma. Depois disso, o relator do processo na Câmara, deputado Jovair Arantes (PTB-GO) terá uma semana para apresentar seu parecer. Em seguida, o documento será analisado e votado pelos parlamentares da comissão.

“Vamos aproveitar esse período em que o governo ainda não apresentou a defesa para fazer um sereno debate”, diz Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da Comissão Especial da Câmara.

Data histórica: 30 de março

O plenário do Supremo Tribunal só analisará a suspensão da posse do ex-presidente Lula na chefia da Casa Civil a partir de 30 de março. O Supremo não terá sessões antes disso. Até lá fica valendo a decisão do ministro Gilmar Mendes que cancelou a posse e devolveu o processo de Lula para o juiz Moro. “A decisão dada pelo ministro Gilmar contraria decisões do próprio Supremo”, argumenta o advogado-geral da União, Eduardo Cardozo.

Reportagem de Ana Beatriz Magno

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