Comissão especial da Câmara tem vantagem entre deputados a favor do impeachment

Dos 65 deputados, 24 são contra o afastamento de Dilma, 28 são a favor e 13 não têm posição; indecisos vão decidir parecer

Por O Dia

Brasília - A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que discute a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff está praticamente empatada, com leve vantagem entre os oposicionistas. Dos 65 parlamentares escalados, 24 são contra o afastamento da chefe do Poder Executivo, 28 são a favor e 13 não decidiram seus votos. O levantamento foi feito pela reportagem com base em números de movimentos sociais e apuração junto aos gabinetes dos parlamentares. 

Têm peso entre os indecisos – que devem dar rumo à decisão, com cinco dos 13 votos – PSB, PSD e PMDB. De acordo com apuração da reportagem, o líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF), deve ser um a tender para o lado da situação – votando contra a abertura do processo. Ele foi o deputado escolhido para presidir a comissão, o que pode pesar na decisão dos outros membros do partido ainda sem voto definido. O relator da comissão especial será Jovair Arantes (PTB), que ainda está na lista dos que não anunciam opinião publicamente.

Integrantes da comissão do impeachment na Câmara foram escolhidos em sessão nesta quintaZeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O PMDB continua sendo a maior das incógnitas, com as bases oposicionista e governista – bem menor – já definidas. No entanto, ainda há deputados da legenda que podem tender a qualquer lado durante o andamento do processo. João Marcelo (MA) e Valtenir Pereira (MT) são os peemedebistas que podem equilibrar os votos no partido ou definir a maioria contra Dilma.

Outro caso que chama a atenção é o do PSB: o partido já estava rompido com o governo Dilma desde 2013, mas parte de seus integrantes ainda não assumiu posição favorável ao afastamento da presidente. A situação se complicou um pouco para o PT após Luiz Inácio Lula da Silva ter sido obrigado a prestar depoimento a mando do juiz federal Sérgio Moro – condução coercitiva –, o que impulsionou os processos pelo impeachment. Na ocasião, a direção da legenda informou que iria passar "em definitivo" para as fileiras da oposição.  

Seguindo a estratégia anunciada por Cunha de acelerar o processo, o Plenário da Câmara realizou sessão de debates já na sexta-feira, um dia depois da formação da comissão. Desta forma, começou a ser contado o prazo de dez sessões para a apresentação de defesa da presidente da República.

O que está em pauta 
Os deputados da comissão discutem a aprovação de um parecer que autoriza ou rejeita a abertura do processo de impeachment. A decisão será por maioria simples entre os 65 nomeados.

Após a decisão, o material segue ao Plenário da Câmara, onde será votado novamente. No entanto, para seguir ao Senado Federal, a aprovação ou rejeição da abertura do processo de afastamento da presidente precisa ter dois terços dos votos entre os 513 deputados.

Veja a lista completa das posições dos parlamentares:

Contra

PT
José Geraldo (PA)
Pepe Vargas (RS)
Arlindo Chinaglia (SP)
Henrique Fontana (RS)
José Mentor (SP)
Paulo Teixeira (SP)
Vicente Candido (SP)
Wadih Damous (RJ)

PSD
Rogério Rosso (DF)

PP
Aguinaldo Ribeiro (PB)
Roberto Brito (BA)

REDE
Aliel Machado (PR)

PDT
Weverton Rocha (MA)
Flavio Nogueira (PI)

PSOL
Chico Alencar (RJ)

PTdoB
Silvio Costa (PE)

PSB
Bebeto (BA)

PMDB
Leonardo Picciani (RJ)
Washington Reis (RJ)

PEN
Junior Marreca (MA)

PR
Édio Lopes (RR)
Zenaide Maia (RN)

PTN
Bacelar (BA)

PCdoB
Jandira Feghali (RJ)


Indecisos

PSB
Tadeu Alencar (CE)

PR
Maurício Quintella (MG)
José Rocha (BA)

PMDB
João Marcelo (MA)
Valtenir Pereira (MT)

PSD
Júlio César (PI)
Paulo Magalhães (BA)

PTB
Jovair Arantes (GO)
Luiz Carlos Busato (RS)

PP
Paulo Maluf (SP)

PRB
Jhonatan de Jesus (RR)
Vinicius Carvalho (SP)

PMB
Weliton Prado (MG)


A favor

SOLIDARIEDADE
Paulinho da Força (SP)
Fernando Franscischini (PR)

PMDB
Lúcio Vieira Lima (BA)
Mauro Mariani (SC)
Osmar Terra (RS)
Leonardo Quintão (MG)

PHS
Marcelo Aro (MG)

DEM
Mendonça Filho (PE)
Rodrigo Maia (RJ)
Elmar Nascimento (BA)

PSDB
Bruno Covas (SP)
Nilson Leitão (MT)
Jutahy Junior (BA)
Shéridan (RR)
Paulo Abi-Akel (MG)
Carlos Sampaio (SP)

PSD
Marcos Montes (MG)

PTB
Benito Gama (BA)

PSC
Eduardo Bolsonaro (SP)
Marco Feliciano (SP)

PROS
Ronaldo Fonseca (DF)
Eros Biondini (MG)

PPS
Alex Manente (SP)

PV
Evair de Melo (ES)

PSB
Danilo Forte (CE)
Fernando Coelho Filho (PE)

PP
Júlio Lopes (RJ)
Jerônimo Goergen (RS)

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