O que a Odebrecht tentou fazer com a delação que nunca existiu?

A denúncia que não passou de balão de ensaio deixou parlamentares de 24 partidos sob a ameaça de um escândalo

Por O Dia

São Paulo - Sem chance de escapar ilesa da Operação Lava Jato, a Odebrecht decidiu nesta semana colocar em prática uma estratégia bem arriscada. Usou a opinião pública para sondar o impacto de uma possível delação premiada. Para isso, tentou causar confusão ao dar sinais de que teria feito um acordo com a Justiça. Muita gente graúda, ao acreditar que a empreiteira teria decidido entregar todo o esquema de que é suspeita, ficou com medo da denúncia.

Quem acredita em coincidências?

A Odebrecht soltou o balão de ensaio na terça-feira, mesmo dia em que a força-tarefa da Lava Jato apreendeu uma lista com mais de 200 políticos na casa de Benedicto Barbosa Silva Junior, ex-presidente de Infraestrutura da empreiteira. A PF investiga se a planilha tem relação com repasse de dinheiro de caixa dois para campanhas eleitorais.

A lista na casa do ex-executivo da Odebrecht e a possível delação do comando da empreiteira tiraram o sossego de parlamentaresMarcelo Camargo / Agência Brasil

Muitos políticos se apressaram em mostrar que os valores apontados nos papéis de Silva Junior eram idênticos aos declarados à Justiça Eleitoral, o que descaracterizaria qualquer irregularidade nas doações. A lista do ex-executivo da Odebrecht quis comprometer muitos parlamentares. Mas as investigações ainda terão de mostrar o que levaria alguém que tenha ligações com uma empresa investigada há pelo menos um ano a deixar impressa em um papel uma planilha de repasses ilegais a políticos. 

O que aconteceu entre a delação ficcional e a ação do MP?

Quase 24 horas depois de a Odebrecht dar a entender que teria assinado a delação premiada e o assunto ter causado inquietação entre parlamentares e integrantes do governo, o MPF-PR divulgou uma nota negando o acordo.

Por ora não é possível saber o que a empresa conseguiu entre a delação que não aconteceu e a mensagem do MPF-PR. O fato é que políticos de 24 partidos – tanto da situação quanto da oposição – foram colocados sob suspeita. Sob o risco de enfrentar a Justiça, parte deles pode ter cedido a pressões de investigados na Lava Jato.

Enquadrada pelo MPF, a empresa divulgou uma lacônica nota de uma linha: "A Odebrecht, por meio de seu comunicado divulgado na noite de terça-feira, teve a intenção de manifestar à sociedade sua disposição em colaborar com as autoridades".

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