Em missa, arcebispo de Aparecida (SP) critica 'política de interesse pessoal'

Cardeal Dom Raymundo Damasceno acredita que o diálogo seria a melhor saída para o governo e o Congresso Nacional enfrentarem a situação

Por O Dia

Aparecida (SP) - Um dos mais importantes nomes da Igreja Católica no Brasil, o cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP), criticou neste domingo, aquilo que ele chamou de a "crise ética e moral" que permeia a política nacional e pregou a retomada do "verdadeiro valor intrínseco" da palavra. "É a preocupação ao serviço do bem comum de todos, e não a política de interesses pessoais".

'A política precisa ser reabilitada em nosso País%2C é preciso que ela retome seu verdadeiro valor'%2C disse Damasceno Arquivo / Agência Brasil

O cardeal conversou com o jornal O Estado de S. Paulo em uma sala reservada da sacristia, após deixar o altar principal do Santuário Nacional de Aparecida, onde celebrou missa solene de Páscoa para aproximadamente 50 mil fiéis, na manhã de ontem. Dom Damasceno acredita que o sistema político do País precisa de renovação e que o diálogo seria a melhor saída para o governo e o Congresso Nacional enfrentarem a situação. "Um país não pode viver permanentemente em crise."

Serenidade

Para o religioso, o momento de tensão exige um caminho de paz, "jamais um caminho de acirramento dos ânimos". Ao citar a "crise ética e moral" que seria a raiz dos atuais problemas, o cardeal defendeu uma mudança de postura por parte da classe política. "A política precisa ser reabilitada em nosso País, é preciso que ela retome seu verdadeiro valor intrínseco, o verdadeiro valor da palavra política. É a preocupação a serviço do bem comum de todos e não a política de interesses pessoais", afirmou.

Quando ocupou a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 2011 a 2015, o cardeal reuniu-se diversas vezes com a Presidência da República e defendeu a reforma política. Em seus últimos encontros, Dilma chegou a pedir que a igreja não apoiasse seu impeachment.

Ao manter o tom crítico que já havia adotado na campanha pela reforma encabeçada pela CNBB, d. Damasceno disse que a igreja está à disposição da sociedade, mas não busca tomar o papel reservado aos representantes dos eleitores. "A igreja não quer assumir o protagonismo político. Isso não é papel da igreja, é para os políticos", disse o cardeal.

Após quase um ano de seu encontro com Dilma, em que o cardeal pediu à presidente que "não deixasse de ouvir o clamor das ruas", a atual situação, segundo o arcebispo, é bem diferente da observada naquele momento. "Estamos vendo que os problemas se acumularam", afirmou.

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