Presidente do Simers defende pediatra que negou atendimento a filho de vereadora

Paulo de Argollo Mendes, apoia a conduta da profissional e diz estar orgulhoso

Por O Dia

Rio - A pediatra que se negou a atender uma criança de um ano e um mês, na Capital, porque o menino é filho de uma militante do Partido dos Trabalhadores (PT) teve o comportamento aprovado pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). Em entrevista ao Diário Gaúcho, o presidente da entidade, Paulo de Argollo Mendes, defendeu a profissional.

Nas redes sociais, o episódio divide opiniões. Enquanto alguns se posicionam a favor da mãe da criança, outros aprovam a postura adotada pela médica. A discussão aumentou nesta quarta-feira, depois que o jornal Diário Gaúcho publicou uma entrevista em que o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, defende a conduta da profissional.

Paulo de Argollo Mendes%2C apoia a conduta da profissional e diz estar orgulhosoReprodução Internet

Segundo ele, a pediatra agiu de forma ética, levando em conta que o caso da criança não era de urgência. "Tu não és o único médico da cidade e o paciente tem a possibilidade de escolher outros profissionais, daí tu tens que ser honesto, tens que ser leal com o teu paciente. Se tem alguma coisa que te incomoda e que tu achas que vai prejudicar a tua relação com o teu paciente, se tu não vais se sentir confortável, se não vai ser prazeroso para ti atender aquela pessoa, tu deves dizer para ela", ele afirmou. Para Argollo, a médica deveria "se orgulhar" por ter cumprido o código de ética da profissão.

Ariane considerou "lamentável" a fala do presidente do Simers. "É uma tentativa rasteira de transformar um caso de ética profissional numa questão política. Eu não vou aceitar que o caso que afetou o meu filho seja transformado numa disputa entre petistas e não petistas", falou. Procurado, o Simers manifestou, por meio de nota, que a declaração de Argollo confirma o posicionamento da entidade a respeito do cumprimento do Código de Ética Médica. O sindicato também destacou que tem uma posição apartidária e de respeito a todos os cidadãos.

O Cremers informou que será aberta uma sindicância para apurar a denúncia formalizada por Ariane Leitão. Se a comissão que vai analisar o episódio entender que houve indício de infração ética, será instaurado um Processo Ético-Profissional que pode resultar em absolvição da médica acusada ou, então, em aplicação de uma das penas previstas na Lei 3.268/57. As punições possíveis vão desde uma advertência confidencial até a cassação do exercício profissional.

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