Temer nega negociar cargos

Vice garante que investigações da Lava Jato não serão ‘abafadas’, caso assuma a Presidência

Por O Dia

Brasília  - Principal beneficiado em um eventual impeachment de Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer negou ontem que vá tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato caso assuma a Presidência da República. Em encontro com empresários à tarde em São Paulo, Temer revelou ainda que é “muito procurado”, mas não promove negociações de cargos em um possível governo. O vice-presidente declarou que não trata “sequer do assunto, do que possa ou não possa acontecer”.

Temer é o primeiro na linha sucessória, e assumirá a Presidência, caso o Congresso aprove o impeachment de Dilma.  Ele também usou sua conta no Twitter para comentar a possibilidade de interferir nas investigações e nos trabalhos da Polícia Federal. Em resposta a rumores de que promoveria um “abafa” da Lava Jato, o vice-presidente afirmou que “jamais haveria de influenciar em outro poder”.

“Dizer que eu poderia interferir em processo judicial, levado adiante em função da posição do Ministério Público, isso jamais eu faria”, afirmou, lembrando sua formação jurídica e de sua biografia como deputado constituinte.“Outro registro que quero fazer é que eu estaria negociando cargos, recebendo parlamentares e partidos para fazer negociação de cargos. Sou muito procurado, mas não trato desse assunto. Não trato sequer do assunto, do que possa ou não possa acontecer”, escreveu Temer, no Twitter. Presidente nacional do PMDB, Temer liderou esta semana o rompimento do partido com o governo e determinou entrega dos cargos que a legenda possui no Executivo federal.

A empresários e no Twitter%2C Michel Temer negou que esteja recebendo parlamentares para negociar cargos%2C caso assuma o lugar de Dilma Efe

FHC

Em vídeo gravado para o Instituto Teotônio Vilela (ITV), ligado ao PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o impeachment da presidente Dilma “é um remédio constitucional” e defendeu a continuidade e autonomia das investigações da Lava Jato em um eventual governo Michel Temer.

“Precisamos olhar o dia de amanhã. Não é só o processo de impeachment, mas o que vem depois. O preço de um acordo não pode ser acabar com a Lava Jato”, disse o tucano. “A Lava Jato é parte do processo democrático brasileiro. Ela vai continuar, mas dentro da regra. Se houver abusos, há tribunais de conter esses abusos, mas é importante que ela continue”, defendeu FHC

Em vídeo divulgado nas redes sociais ontem à tarde, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “não há poder legítimo se a fonte não for o voto popular”. A fala de Lula foi encarada como um recado a Michel Temer, que assumirá a presidência caso prospere o impeachment de Dilma.

“O Brasil sabe que não existe solução fora da democracia, que não se conserta um país andando para trás, que não há poder legítimo se a fonte não for o voto popular”, afirmou Lula. Ele voltou a dizer que o país está dividido entre os que “querem atropelar a democracia, aprovando um impeachment sem base legal” e os que “acreditam na democracia e a defende de corpo e alma”.


Nelson Barbosa sai em defesa de Dilma

Em depoimento à comissão de impeachment da Câmara, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff e afirmou ontem que o governo fez o maior contingenciamento da história do país e, por isso, não há razão para acusações de crime de responsabilidade fiscal.

Além do ministro, foi escalado o professor de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Ricardo Lodi Ribeiro para defender Dilma na Comissão. Assim como Barbosa, Ribeiro negou a ocorrência de crime de responsabilidade e ressaltou que a “falta de apoio parlamentar e impopularidade” não são motivos para sustentar um pedido de impeachment. Anteontem, os integrantes da comissão ouviram dois dos autores da denúncia de crime responsabilidade, os juristas Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal. Contrariados com a insistência do ministro de que não houve crime de responsabilidade da presidente da República, os oposicionistas chamaram as “pedaladas fiscais” de “fraude fiscal”.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), anunciou que a defesa da presidente será protocolada na comissão do impeachment na próxima segunda-feira. Os governistas querem que o advogado-geral da União, ministro José Eduardo Cardozo, faça a sustentação oral da defesa no mesmo dia.

Em depoimento à comissão de impeachment da Câmara, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff e afirmou ontem que o governo fez o maior contingenciamento da história do país e, por isso, não há razão para acusações de crime de responsabilidade fiscal.

A comissão do impeachment ouviu ontem o ministro Nelson Barbosa e o professor Ricardo Lodi Ribeiro%2C da UerjAgência Brasil

Além do ministro, foi escalado o professor de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Ricardo Lodi Ribeiro para defender Dilma na Comissão. Assim como Barbosa, Ribeiro negou a ocorrência de crime de responsabilidade e ressaltou que a “falta de apoio parlamentar e impopularidade” não são motivos para sustentar um pedido de impeachment. Anteontem, os integrantes da comissão ouviram dois dos autores da denúncia de crime responsabilidade, os juristas Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal.

Contrariados com a insistência do ministro de que não houve crime de responsabilidade da presidente da República, os oposicionistas chamaram as “pedaladas fiscais” de “fraude fiscal”. O vice-líder do governo na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), anunciou que a defesa da presidente será protocolada na comissão do impeachment na próxima segunda-feira. Os governistas querem que o advogado-geral da União, ministro José Eduardo Cardozo, faça a sustentação oral da defesa no mesmo dia.

PP deve ficar com Ministério da Saúde

Em reuniões com ministros que cuidam da articulação política e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo e o PP avançaram ontem nas negociações para transferir o Ministério da Saúde do PMDB para o PP. Antes mesmo da confirmação da saída de Marcelo Castro, o PP já definiu o deputado Ricardo Barros como nome para ocupar o comando da pasta. 

Em entrevista publicada ontem no DIA, o governador em exercício do Rio, Francisco Dornelles, defendeu o nome de Barros para a Saúde. </CF>Barros relatou o Orçamento de 2016. O PP é a quarta maior bancada da Câmara, com 51 deputados.

O PP havia avisado ao Planalto que só fecharia acordo para se manter na base se ganhasse um ministério “com orçamento”, como o da Saúde ou da Educação. Negociadores do partido dizem que só uma pasta dessas, com recursos para irrigar as bases, seria capaz de convencer a maioria da bancada a manter apoio a Dilma. A legenda também negocia com o interlocutores do vice-presidente Michel Temer..


O desabafo do ministro no país ‘sem alternativa’

Em meio à discussão do processo de impeachment, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF) disse que o país enfrenta um problema de “falta de alternativa” e comentou em tom crítico a possibilidade de o PMDB assumir o poder. “Quando, anteontem, o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e pensei: Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder. Eu não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando”, disse o ministro, em conversa no Tribunal com alunos da Fundação Lemann.

A foto do momento em que é selado o desembarque do PMDB do governo tem como figuras principais o ex-ministro Eliseu Padilha — um dos peemedebistas mais próximos do vice-presidente Michel Temer —, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o primeiro vice-presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR).

Na conversa com alunos, Barroso afirmou que o problema do país é a “falta de alternativa” na política. “Não tem para onde correr. Isso é um desastre”, afirmou.

‘Feirão do petrolão’

Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no esquema de desvios de recursos da Petrobras, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem que a oferta de cargos pelo governo para tentar barrar o impeachment é o “feirão do petrolão”. Cunha disse não ter considerado precipitado o desembarque feito pelo PMDB, que deu ao governo margem de manobra para atrair deputados de outras legendas.

“Eu não comento adjetivos (sobre a declaração de Renan Calheiros de que a decisão foi pouco inteligente), do meu ponto de vista pessoal já está uns oito meses atrasado”, afirmou, acrescentando depois considerar a oferta de cargos pelo Planalto como “liquidação de fim de governo, o feirão do petrolão.”



Últimas de Brasil