Envolvidos na Lava Jato estão no ‘Panama Papers’

Papeis revelam 107 offshores ligadas a 57 pessoas encrencadas no ‘petrolão’

Por O Dia

Brasília - O que o argentino Lionel Messi, do Barcelona, o ex-jogador francês Michel Platini, e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), têm em comum? Os nomes dos três aparecem no escândalo ‘Panama Papers’, que lista pessoas famosas beneficiárias de empresas offshores criadas ou vendidas pela Mossack Fonseca, firma panamenha especializada na abertura de companhias em paraísos fiscais.

Levantamento feito por 109 veículos jornalísticos em 76 países indica que a Mossack Fonseca criou 107 offshores para pelo menos 57 indivíduos ou empresas ligadas a personagens da Lava Jato. Segundo reportagem do portal UOL, políticos do PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB aparecem entre os beneficiários de offshores.

Eduardo Cunha é um dos políticos que está na lista da Mossack Fonseca Antonio Cruz/Agência Brasil - 10.03.16

Entre eles estão: o deputado federal Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) e o pai dele, o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso; o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto; os ex-deputados João Lyra (PSD-AL) e Vadão Gomes (PP-SP), e o ex-senador e presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2014. Há ainda alguns parentes de políticos que têm ou tiveram offshores registradas. É o caso de Gabriel Nascimento Lacerda, filho do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e de Luciano Lobão, filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA).

Documentos da Mossack Fonseca indicam que offshores atribuídas a Eduardo Cunha e ao empresário João Augusto Rezende Henriques foram operadas pelo mesmo banqueiro no BSI, da Suíça. David Muino se apresenta em redes sociais como vice-presidente do banco suíço BSI. Ele intermediou a abertura tanto da Acona International Investments Ltda, pertencente a Henriques, quanto da Penbur Holdings S.A, offshore atribuída a Cunha, segundo delatores .O presidente da Câmara nega ter contas no exterior.

A apuração internacional envolvendo a Mossack Fonseca começou quando o jornal alemão “Süddeustche Zeitung” obteve 11,5 milhões de documentos sobre o escritório do Panamá e compartilhou os papéis com 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países, todos ligados ao ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma entidade sem fins lucrativos com sede em Washington, nos Estados Unidos.

No Brasil, a investigação foi feita pelo UOL — empresa controlada pelo Grupo Folha — , pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo’ e pela Rede TV!. A série de reportagens foi batizada internacionalmente de ‘Panama Papers’.

Ter uma offshore não é necessariamente ilegal, desde que a empresa seja devidamente declarada no Imposto de Renda – e, caso tenha mais de US$ 100 mil em patrimônio, também ao Banco Central. Mas, elas também podem ser usadas para ocultar bens e propriedade, sonegar tributos e esconder a origem de recursos.
 

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