PF falsa usa Lava Jato para arrastão

Ladrões fizeram a limpa em prédio de empresário Ronan Maria Pinto, preso pelos verdadeiros PFs

Por O Dia

Ronan%2C preso na Lava Jato%2C tem apartamento no condomínio atacadoReprodução

Sâo Paulo - Um grupo de pelo menos 10 assaltantes vestidos como agentes da Polícia Federal invadiu nestas quinta-feira o prédio de classe alta onde mora o empresário Ronan Maria Pinto, em Santo André, no ABC paulista. Dono do jornal ‘Diário do Grande ABC’, ele foi preso na 27ª fase da Operação Lava Jato.

Segundo a Polícia Civil, dois apartamentos, do sétimo e do oitavo andares (o prédio tem apenas um por andar), foram assaltados entre cinco e oito da manhã. Os bandidos disseram a funcionários que fariam uma diligência no apartamento do empresário.

Para a polícia, um dos porteiros disse que os assaltantes o ameaçaram de prisão “por obstrução da Justiça” caso ele se recusasse a abrir o portão. Diante da ameaça de prisão, ele deixou a quadrilha entrar em dois carros da PF falsos: um Freemont preto e um Citroën branco.

Já dentro do prédio, o grupo rendeu o porteiro e demais funcionários. Em seguida, renderam um casal e foram ao apartamento deles, mas não levaram nada. Minutos depois, subiram para os outros dois apartamentos, de onde levaram joias e dinheiro. Os criminosos levaram os registros das câmeras de segurança antes de fugir. De acordo com o delegado Giuliano Travain, as vítimas ainda não haviam apresentado o levantamento do que foi roubado até o fim da tarde de ontem.

Ronan foi preso em 1º de abril na Lava Jato. No dia 5, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos na primeira instância, decidiu converter a prisão temporária do empresário em preventiva — ou seja, por tempo indeterminado.

Para Moro, manter Ronan solto traz “riscos à investigação, à instrução criminal e à ordem pública”. Segundo as investigações, ele teria recebido R$ 6 milhões em troca da não publicação de supostas informações que ligariam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho à morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT).

As investigações apontaram indícios de que Ronan conseguiu o dinheiro ameaçando publicar as informações no jornal Diário do Grande ABC, do qual é dono. A quantia que recebeu, conforme o MPF, foi repassada por meio de um empréstimo feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai, junto ao Banco Schahin.
Bumlai reconheceu em depoimento que fez um empréstimo de R$ 12 milhões a pedido do PT e disse que a quantia nunca foi paga ao banco. O dinheiro seria para pagar dívidas de campanha.

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