Temer articula futuro ministério

Às vésperas da votação do impeachment de Dilma, vice faz consultas para formar sua equipe

Por O Dia

Brasília -  Diante da possibilidade de o impeachment da presidente Dilma Rousseff se concretizar, o vice-presidente Michel Temer já discute com aliados a organização de seu eventual governo. A bolsa de apostas de ministeriáveis para a gestão Michel Temer tem nomes para todos os postos chaves.

Candidato derrotado por duas vezes à presidência, o senador José Serra (PSDB-SP) é cotado para assumir a pasta da Saúde. Cargo ocupado pelo tucano no governo de Fernando Henrique Cardoso. Para o ministério da Fazenda, Temer sonha com Armínio Fraga, que foi presidente do Banco Central nos anos FHC. Fraga, no entanto, não teria aceitado o convite informal.

Os nomes do economista Mansueto de Almeida, e dos presidentes do Insper, Marcos Lisboa, e da Federação Brasileira dos Bancos, Murilo Portugal, também fazem parte da lista de apostas da futura equipe econômica. A ideia é implementar o ajuste fiscal que a presidente Dilma não conseguiu fazer a contento neste segundo mandato.

O PSDB será um dos partidos que irão compor o eventual governo de Michel Temer na Esplanada dos Ministérios Estadão Conteúdo

Há ainda nomes como o de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para o Ministério do Desenvolvimento; de Nelson Jobim para a Justiça; e de Eliseu Padilha para a chefia da Casa Civil. Braço direito de Temer, o ex-ministro Moreira Franco também terá posição de destaque na Esplanada.

O chamado “núcleo duro” do governo Temer será integrado pelo PMDB, DEM, PSB e PSDB. Juntos, estes partidos somam 176 deputados, placar insuficiente para aprovar projetos de interesse do Planalto. A estratégia é distribuir cargos para outras legendas menores, como PP, PR e PSD. Nos últimos dias, esses três partidos desembarcaram oficialmente do apoio à presidente Dilma e deverão votar a favor do impeachment.

Além das consultas para compor seu ministério, Temer já avisou aos aliados que está decidido a enxugar a máquina, reduzindo o número de pastas para cerca de 20, em vez das atuais 31. A ideia é extinguir praticamente todas as secretarias especiais. Temer também quer reduzir os 22 mil cargos comissionados espalhados pela Esplanada. 

PSDB e PMDB no comando

A bancada tucana do Senado já deu por “consumada” a autorização do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que deve ser votada neste domingo na Câmara. Calculando que caberá ao PSDB a relatoria ou a presidência da comissão que analisará o processo no Senado, a bancada já se reuniu e definiu o nome de Antonio Anastasia (MG) para assumir um dos cargos.

“A escolha foi feita com base em seu conhecimento jurídico, serenidade e aclamação ética. Foi consensual na bancada”, afirmou o líder do partido, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Nos bastidores, entretanto, o argumento é de que Anastasia possui boas relações com os diversos setores do Senado e uma posição menos combativa. O PSDB quer passar a impressão de isenção durante a condução do processo.

Os tucanos têm direito a três vagas na comissão do impeachment do Senado. Além de Anastasia, também participarão o líder Cunha Lima e o senador Aloysio Nunes (SP). O presidente do PSDB e candidato derrotado nas eleições de 2014, Aécio Neves (MG), não deve fazer parte da comissão.

O PMDB, maior bancada do Senado, deverá ser o partido que dividirá o comando da comissão com o PSDB. Um dos nomes cotados é o do ex-ministro e senador Eunício Oliveira (CE), ligado ao vice Temer. No Senado, o processo de impeachment terá prosseguimento se receber o aval da maioria dos 81 senadores. Se for aprovado, a presidente Dilma Rousseff é afastada por até 180 dias, prazo máximo para o julgamento do mérito das denúncias.

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