Por gabriela.mattos
Michel Temer já conversou com Aécio Neves para uma futura aliançaRoberto Stuckert Filho/PR

Brasília - Pela primeira vez depois que a Câmara dos Deputados aprovou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer falou publicamente sobre o tema. Diferentemente da postura adotada nos últimos dias, quando já havia gravado e distribuído discurso de posse, Temer preferiu não fazer críticas à antiga aliada e disse que vai aguardar a decisão do Senado sobre o processo.

“Muito silenciosa e respeitosamente vou aguardar a decisão do Senado Federal, que é quem dá a última palavra sobre essa matéria. Seria inadequado que eu dissesse qualquer coisa antes da solução a ser dada pelo Senado”, afirmou, na saída de sua residência, em São Paulo.

Após a aprovação da admissibilidade do impeachment de Dilma pelos deputados no domingo, Temer tem se dedicado a formar sua equipe para um eventual governo em caso de afastamento da presidente.

Na noite de segunda-feira, o vice jantou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, um dos nomes cotados para a pasta da Fazenda. Armínio não aceitou o convite.

Temer tenta agora atrair Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no governo Lula. Na manhã desta terça-feira, o vice recebeu a visita de outro nome cotado para a equipe: Alexandre de Moraes, secretário de Segurança do governo de São Paulo e sondado para ocupar o Ministério da Justiça.

Moraes não confirmou o convite e disse que os dois são amigos há mais de 20 anos. “Michel Temer é uma pessoa experiente. Sabe a importância do momento ”, desconversou Moraes.

Pesquisa

Pesquisa realizada pela instituto Ipsos mostrou que 62% dos brasileiros reprovam a atuação de Temer. Apesar do alto índice de rejeição, o pemedebista vem conseguindo aumentar sua taxa de popularidade: de fevereiro a abril, subiu 18 pontos percentuais, chegando a 24% de aprovação. E o desconhecimento em relação ao vice-presidente caiu de 33% para 14%.

Os dados fazem parte da pesquisa “Pulso Brasil”, que ouviu 1.200 pessoas entre 1º e 8 de abril, em 72 municípios de todas as regiões. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais. Quem também mostrou evolução foi Marina Silva, ex-candidata à presidência. A taxa de desconhecimento da ex-senadora caiu de 21% para 8%. A taxa de aprovação subiu de 27% para 48% em dois meses.

Eduardo Cunha ganha mais uma na Câmara

O deputado Waldir Maranhão (PP-MA), primeiro-vice-presidente da Câmara, determinou que o Conselho de Ética da instituição limite a investigação contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

De acordo com a determinação de Maranhão, a investigação terá de se limitar ao escopo inicial da representação contra o peemedebista por quebra de decoro parlamentar.

Favorável a Cunha, a decisão limita a investigação ao momento em que Cunha prestou depoimento à CPI da Petrobras, em 2015, quando declarou que não possuía contas não no exterior. A afirmação dele foi rebatida por investigações da Operação Lava Jato. Segundo os investigadores, o peemedebista possui contas secretas na Suíça, que teriam sido abastecidas com propina desviada da Petrobras.

O ministro do Supremo Tribunal Teori Zavascki afirmou ontem que ainda não tem uma data para levar ao plenário da Corte o pedido de afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara.
“Estou analisando”, disse o ministro, responsável pela Lava Jato no STF. O pedido foi feito há quatro meses pela Procuradoria Geral da República.

‘Estão vendendo terrenos na lua’

A presidente Dilma Rousseff voltou nesta terça-feira a atacar o vice-presidente Michel Temer. Em entrevistas aos jornalistas que são correspondentes estrangeiros no Brasil, ela disse que Michel Temer tenta “encurtar caminho” diante da impossibilidade do grupo do pemedebista ser eleito em uma eleição direta.

“A conspiração se dá pelo fato que a única forma de chegar ao poder no Brasil é utilizando de métodos, transformando e ocultando o fato que esse processo de impeachment é uma tentativa de eleição indireta, de um grupo que de outra forma não teria acesso pelo único meio justificável, que é o voto direto”, criticou.
Dilma criticou severamente os métodos utilizados pela oposição para conseguir adeptos ao impeachment. “Estão vendendo terreno na Lua”, resumiu Dilma.

A presidente considerou que houve um “componente forte de gênero” no tratamento dado a ela durante o processo. “Em muitos casos, fui tratada, inclusive em texto de órgão de imprensa, com misoginia”, reclamou Dilma.

Você pode gostar