Michel Temer faz sondagens e convites para seu ministério

Vice diz para o ex-ministro Delfim Neto que “não falta nem talento nem programa”

Por O Dia

Rio - A três semanas da votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) se reuniu nesta quarta-feira com o ex-ministro Delfim Netto para discutir medidas necessárias para o país sair da recessão e voltar a crescer. Delfim foi um dos principais colaboradores econômicos do início do primeiro mandato de Dilma.

“O Temer está com a avaliação correta. Ele me disse que não há nem escassez de talentos para comandar a equipe econômica nem falta de um bom diagnóstico, o que falta neste momento é governo, é organização política”, disse Delfim, que almoçou com Temer e o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Temer almoçou ontem com Delfim Neto%2C que foi um dos principais colaboradores econômicos do início do primeiro mandato de Dilma agência estado

Temer passou o dia em reuniões com os ex-ministros Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Eliseu Padilha (PMDB-RS) e com economistas. O vice está ouvindo sugestões de nomes e medidas para a área econômica. Mas a principal preocupação de Temer neste momento é garantir uma base aliada e uma sustentação política para fazer um bom governo.

A presidente Dilma teve duas baixas em seu ministério: Helder Barbalho (Portos) e Eduardo Braga (Minas e Energia), ambos do PMDB, entregaram os cargos. Os dois têm influência na votação do pedido de impeachment no plenário do Senado.

Helder é filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e chegou ao posto por indicação do pai. Já Eduardo Braga pretende tirar licença médica do cargo de senador e em seu lugar continuará sua suplente e mulher, Sandra Braga (PMDB-AM). Tanto Jader como Sandra ainda não se posicionaram publicamente em relação ao processo de impeachment contra a presidente, o que tem preocupado o Palácio do Planalto.

Nas conversas com Dilma, os dois ministros disseram que ficaram nas pastas até onde era possível e que, agora, não tinham mais como ir contra o partido. A avaliação é que o Senado deverá acatar o pedido aprovado na Câmara, autorizando o afastamento por até 180 dias da presidente.

O deputado federal Celso Pansera (PMDB-RJ) também decidiu não voltar à chefia do Ministério de Ciência e Tecnologia. Ele não quer se indispor com o PMDB do Rio de Janeiro, que votou em grande maioria pelo impeachment na Câmara. Com as saídas e nomeações, o governo federal conta atualmente com um total de oito ministros interinos.

Dilma viaja e vice assume presidência até sábado

Está marcada para às 9h30 de hoje a decolagem da presidente Dilma Rousseff e sua equipe para Nova York, onde participa da sessão de abertura de assinatura do acordo de Paris, sobre meio ambiente, na Organização das Nações Unidas (ONU). O vice-presidente Michel Temer assumirá a presidência até sábado, quando Dilma retorna dos EUA.

Temer, que tem sido criticado e chamado de “traidor” por Dilma, não pretende ir para Brasília. Sua ideia é permanecer em São Paulo, sem agendas externas, com um comportamento totalmente discreto. Dilma dará pelo menos duas entrevistas em Nova York. Ela quer aproveitar a imprensa internacional para repetir o discurso de que está sendo vítima de um processo “baseado em uma flagrante injustiça, uma fraude jurídica e política, que é a acusação de crime de responsabilidade sem base legal, sem crime e ao mesmo tempo de um golpe”.

Ações começam a andar no TSE

A ministra Maria Thereza de Assis Moura, corregedora-geral da Justiça Eleitoral, autorizou o início da produção de provas que devem embasar as ações que pedem a cassação da chapa formada pela presidente da República, Dilma Rousseff, e pelo vice-presidente, Michel Temer. A fase de produção de provas é considerada longa na Corte eleitoral e deve avançar no segundo semestre deste ano.

As provas incluem, além do depoimento de testemunhas que são também investigados na Operação Lava Jato, a perícia contábil em gráficas e fornecedores da campanha presidencial encabeçada pelo PT. Os documentos serão utilizados nas quatro ações que correm no Tribunal Superior Eleitoral sobre o assunto, para garantir “praticidade e economia processual”.

“Por ora, entendo que o momento processual, à luz do devido processo legal, recomenda que se garanta o direito à produção da prova (cujo conteúdo ainda não é suficientemente conhecido para ser fundamentadamente desprezado) e não seu cerceamento”, escreveu Maria Thereza.

Últimas de Brasil