Nobel da Paz defende Dilma e fala em golpe no Congresso Nacional

O argentino Adolfo Pérez Esquivel visitou Brasília e criticou o processo de impeachment

Por O Dia

Rio - O Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel contou nesta quinta-feira que o Papa Francisco acompanha com preocupação a crise política no Brasil. As declarações de Pérez Esquivel foram dadas no Planalto, após um encontro dele com a presidente Dilma Rousseff. Ele é um dos ativistas com maior acesso ao Papa Francisco.

O ativista argentino de direitos humanos disse que discutirá com o pontífice o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff num encontro marcado para o início do próximo mês no Vaticano. "Ele (Francisco) está muito preocupado com o que ocorre aqui. Também está preocupado com outros problemas no continente, retrocessos democráticos", afirmou.

Prêmio Nobel da Paz defendeu o mandato da presidente Dilma RousseffEfe

Ele não adiantou qual a avaliação do Papa sobre a questão no Brasil. Em entrevista, Esquivel apresentou apenas sua própria posição. “Temos muito claro que o que está se preparando aqui é um golpe, aquilo que chamamos de golpe branco", disse Pérez Esquivel na entrevista. “Esses golpes brancos já foram colocados em prática em países como Honduras e Paraguai”, ressaltou. “Agora, a mesma metodologia que não necessita de Forças Armadas está se utilizando aqui no Brasil.”

Pérez Esquivel relatou que a presidente Dilma agradeceu o apoio, reafirmou que considera o impeachment um golpe e está “muito firme” diante do processo. O ativista disse que a esquerda no continente precisa fazer uma reflexão crítica e afinar seu discurso com sua práticas.

Em visita ao Senado, após o encontro com Dilma, o Nobel da Paz causou tumulto ao dizer no plenário que há um “possível golpe” em curso no País. A declaração irritou os senadores defensores do impeachment, como o goiano Ronaldo Caiado (DEM). "Essa situação é inaceitável. Nunca vi, com 22 anos de Congresso Nacional, as autoridades que nos visitam, sem ter o consentimento de todos os líderes, usarem o microfone para fazer pronunciamento", disse Caiado.

O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), retrucou: "Entendo que isso cause urticária naqueles que são oposição. Estão ai pesquisas de opinião de que a população não aceita que o conspirador mor assuma", disse o senador

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