Cardozo não descarta acionar Justiça para questionar processo de impeachment

Ministros disseram que não há razão para afastamento da presidente Dilma na Comissão no Senado Federal

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O Senado Federal teve, ontem, o dia da defesa da presidente Dilma na Comissão do Impeachment. Em uma longa sessão de mais de dez horas, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, tentaram convencer os senadores de que a presidente não cometeu crime de responsabilidade.

Barbosa explicou várias vezes que cada um dos decretos de crédito suplementar assinados pela presidente não resultou em aumentos de gastos sem a autorização do Legislativo, já que houve um grande contingenciamento de despesas.

“Ano passado foi um ano atípico porque o governo e o mercado previam um crescimento do PIB, e na verdade houve retração da economia”, disse. “A meta fiscal de 2015 inclusive foi mudada não para gastar mais, mas porque se viu que íamos arrecadar menos. Na realidade houve corte de gastos”, completou Barbosa.

Melhor amiga presidente em Brasília,Kátia Abreu disse acreditar na honestidade de Dilma. “Temos que pensar na importância da agricultura. Não podemos criminalizar instrumentos importantes para os produtores rurais”, criticou a ministr. “Quem neste país nunca atrasou uma dívida. Alguém aqui nunca atrasou uma dívida? Me digam”, alfinetou Kátia, referindo-se à dívida do governo com o Banco do Brasil, que ficou conhecida por pedalada fiscal, e que tinha por objetivo garantir o pagamento do Plano Safra.

Já o advogado-geral José Eduardo Cardozo afirmou que não descarta acionar a Justiça para questionar o andamento do processo de impeachment. Ele voltou a classificar o afastamento da presidente de golpe. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) questionou por que Cardozo, como advogado da presidente, não tomou atitudes se considera o processo um golpe. “Por que não procurou o Ministério Público? O que faz vossa excelência que afirma que é golpe e não toma providências?”, atacou.

Cardozo explicou que tomou todas as medidas possíveis e ressaltou que quer convencer o Senado a decretar a nulidade do processo de impeachment. Mas ponderou: “Não afasto possibilidade de ir ao Judiciário”.disse. 

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia