‘Antes tarde do que nunca’, diz Dilma sobre afastamento de Cunha

Petista lamenta que o agora ex-presidente da Câmara tenha liderado processo contra ela

Por O Dia

Brasília - Em discurso durante a inauguração da operação comercial da Usina de Belo Monte, em Vitória do Xingu (PA), a presidente Dilma Rousseff voltou a celebrar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar o deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Ela lamentou, no entanto, que Cunha tenha liderado o processo de seu impeachment na Câmara.

“Eu soube, quando ainda estava em Brasília, que o Supremo Tribunal Federal havia afastado o Eduardo Cunha. Deixa eu dizer que antes tarde do nunca”, afirmou Dilma. “A única coisa que lamento é que ele infelizmente conseguiu votar o impedimento e vocês assistiram a ele presidindo, com a maior cara de pau, o processo na Câmara”, disse a presidente.

A presidente classificou ainda como “claro desvio de poder” o processo de impeachment e voltou a falar que é fruto de tentativa de chantagem de Cunha. “Esse impeachment é um claro desvio de poder, porque ele usa seu cargo para se vingar de nós. Porque nós não nos curvamos às chantagens dele.”

Internautas brincaram com o afastamento de Cunha e viralizaram com memes nas redes Reprodução

Mais tarde, já em Santarém, no oeste do Pará – na segunda agenda do dia –, Dilma chamou o vice-presidente Michel Temer (PMDB), primeiro na linha sucessória em caso de impeachment, de “usurpador de mandato”. A presidente voltou a dizer que é vítima de um “golpe” e chamou o processo de afastamento de um “disfarce para eleição indireta”.

Assim como Dilma, os internautas festejaram nas redes sociais, principalmente no Facebook e no Twitter, o afastamento de Cunha da presidência da Câmara. Uma chuva de memes tomou conta das redes durante todo o dia de ontem. Um dos mais replicados mostra o deputado preocupado, com a mão na cabeça, e a frase ‘Tchau, querido’. 

Petistas vão tentar anular impeachment

A defesa da presidente Dilma Rousseff vai ao Supremo Tribunal Federal pedir a anulação do processo de impeachment com base na acusação de que houve desvio de finalidade do presidente da Câmara, Eduardo Cunha ao acatar a abertura do processo contra a chefe do Executivo.

O anúncio foi feito ontem pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, em sessão da Comissão Especial do Impeachment do Senado. O ministro apresentou ontem mais uma vez a defesa de Dilma. “Já estamos pedindo a anulação do processo e vamos pedir novamente. A decisão do STF é uma prova muito importante no sentido de que ele usava o cargo para finalidades estranhas ao interesse público, como aconteceu no caso do impeachment”, argumentou Cardozo.

Mais tarde, os deputados petistas Maria do Rosário (RS) e Paulo Pimenta (RS) anunciaram que vão pedir ao Supremo a nulidade da sessão da Câmara que aprovou a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma. Os parlamentares argumentam que Cunha, afastado do cargo pelo ministro do Supremo Teori Zavascki, não tinha legitimidade para comandar a sessão que aprovou o impeachment.  A comissão do Senado deve votar hoje o pedido de afastamento da presidente Dilma.

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