Mantega e Coutinho usaram BNDES para pedir doações, diz Odebrecht

Procuradores da Lava Jato exigem que empresário conte como era esquema de financiamento de empreiteiras no exterior

Por O Dia

Rio - Em tentativa de fechar acordo de delação premiada, o empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente do Grupo Odebrecht, contou a procuradores da Operação Lava Jato que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, pressionavam empresas para que fizessem doações à campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014. De acordo com ele, os alvos eram sempre empresas que receberam financiamento do BNDES para projetos no exterior. As informações foram divulgadas pela "Folha de S. Paulo."

As informações de Odebrecht podem contribuir para a redução de sua pena. Ele já foi condenado a quase 19 anos de prisão e pode ser incluído em novas investigações por casos de corrupção da Operação Lava Jato. Os procuradores exigem que o empresário explique como funcionava o esquema de financiamento via BNDES de projetos de empreiteiras brasileiras no exterior.

Ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e presidente do BNDES, Luciano Coutinho, pressionavam empresas para que fizessem doações à campanha de Dilma em 2014, segundo OdebrechtAgência Brasil

Sobre o BNDES, por enquanto, já foi revelado pelos  ex-presidentes da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo e Rogério, e o executivo Flávio Machado que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, cobrou 1% de propina sobre valores financiados pelo banco em obra da empreiteira na Venezuela.

A informação consta da petição entregue pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual solicita investigação sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, senadores e deputados.

Odebrecht teria confirmado que Dilma tentou interferir na Lava Jato e atuar para libertar empreiteiros presos, inclusive ele, segundo a publicação. Delcídio do Amaral já havia feito a mesma declaração em sua delação premiada, a tentativa passou pela indicação do ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em resposta à reportagem do jornal, Coutinho e Mantega disseram que "jamais" trataram de doações para campanhas eleitorais. Edinho Silva também nega, desde que seu nome foi envolvido na Lava Jato, a existência de qualquer tipo de irregularidade nas doações da campanha de Dilma Rousseff. Ele também acusa o senador e ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (sem partido-MS), de mentir quando relaciona seu nome a práticas irregulares.

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