Por felipe.martins

Rio - O vice-presidente Michel Temer (PMDB) está decidido a cortar pelo menos dez ministérios de seu eventual governo. Ele fez nesta segunda-feira os acertos finais sobre o novo desenho da Esplanada dos Ministérios. A votação do impeachment da presidente Dilma deverá acontecer amanhã no plenário do Senado. Se for aprovada, ela ficará afastada por até 180 dias do cargo e Temer assume a Presidência.

Diante da enxurrada de críticas recebidas por manter o número de ministérios, Temer voltou atrás e agora pretende reduzir de 32 para 22. Entre mudanças está a decisão de desmembrar o Ministério do Trabalho e Previdência Social. A parte relativa ao Trabalho área segue como ministério. A Previdência Social será incorporada pelo Ministério da Fazenda, que será responsável por fazer a reforma previdenciária.

O vice-presidente Michel Temer passou o dia redesenhando a Esplanada dos Ministérios caso venha a assumir a Presidência da RepúblicaDivulgação

A intenção de Temer é fundir os ministérios das Comunicações com Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento Social com Desenvolvimento Agrário.O vice-presidente também quer fundir as secretarias com status ministerial, especificamente de Portos e Aviação Civil, com o Ministério dos Transportes. O Ministério da Educação volta para sua configuração original e vai incorporar o Ministério da Cultura. Perdem ainda status de ministério a AGU (Advocacia-Geral da União), o Banco Central, Secretaria de Comunicação Social e Chefia de Gabinete da Presidência da República.

Além disso, as Secretarias das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, que têm status de ministério, ficariam sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça. Temer vai fechar as negociações com os partidos aliados para escolha de sua futura equipe, que toma posse caso o Senado decida pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff. Já estão certos, na equipe, Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Henrique Meirelles (Fazenda).

O plano prevê uma dezena de cortes e a criação de uma nova pasta, responsável pelas concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e privatizações, que deve ficar sob o comando do ex-ministro Moreira Franco. O enfoque do novo ministério ou secretaria, veiculado à Presidência da República, deve ser a geração de vagas de trabalho com carteira assinada.

Com a redução no número de ministérios, a equipe ainda precisa escolher entre alguns nomes que eram dados como prováveis quando as pastas eram separadas

Tasso Jereissati recusa pasta

Sondado pela equipe de Michel Temer para ocupar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse nesta segunda que não tem pretensão de compor o eventual governo Temer e que seu papel é continuar cumprindo suas funções no Senado.“Não fui, não sou e nem serei candidato a ministro”, disse.

Ex-governador do Ceará em três gestões, o senador foi cotado em razão do bom trânsito junto ao empresariado e também às lideranças políticas no Nordeste, região considerada essencial para o sucesso de qualquer governo.

A equipe que vem fazendo as costuras para a formação do eventual governo Temer pensou no nome tucano para mostrar ao setor que, caso o peemedebista assuma a presidência, não pretende enfraquecer o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Este é um pleito do empresariado e de federações do setor, como a Fiesp. O senador José Serra (PSDB-SP) é outro nome cotado.


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