Renan nega recursos apresentados por governistas contra impeachment

Sessão de debates começou com atrasos por conta de tentativa de senadores da base do governo que apresentaram questões de ordem

Por O Dia

Brasília - Com uma hora de atraso, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, abriu a sessão que vota a admissibilidade do processo que pede o impeachment de Dilma Rousseff da Presidência da República, nesta quarta-feira, às 10h.

Presidente do Senado rejeitou recursosDivulgação

No entanto, como era de se esperar, a sessão não fluiu rapidamente para que, como desejava a oposição ao governo, acabasse o mais cedo possível. Por volta das 11h, senadores da base governista seguiam apresentando questões de ordem para tentar o cancelamento do processo contra a presidente.

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Representada por Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffman (PT-PR) e Vanessa Graziotin (PCdoB), a base governista tentava anular a sessão com argumentos como a entrega da relatoria do processo ter sido entregue ao PSDB, um dos autores da denúncia contra Dilma; o desvio de finalidade de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao acatar a abertura do pedido de impeachment – segundo a defesa de Dilma, como motivo de vingança –; e pelo Tribunal de Contas da União ainda não ter analisado as contas de 2015 do governo federal, as mesmas qie embasam a denúncia de impedimento. Calheiros rejeitou todas as questões de ordem.

Gleisi Hoffman tentou questão de ordem para impedir sessão que vota admissibilidade do impeachment de Dilma%2C mas Renan Calheiros não permitiu Divulgação/ Agência Senado

"A denúncia foi apresentada antes do fim do exercicio orçamentário. A gente diz que não tem crime, não conseguem nos mostrar onde tem crime, então a gente pede que tenha o julgamento das contas de 2015 pelo TCU e depois pelo Congresso Nacional", alegou Farias. "Isso que causa indignação. Estão querendo afastar uma presidente antes que o tribunal analise suas contas. Se esta questão for rejeitada, vamos recorrer ao Supremo Tribunal Federal."

As investidas dos governistas foram amplamente criticadas pela oposição, que pedia agilidade na sessão. "O o governo não faz outra coisa a não ser procrastinar o início desta sessão em clara deslealdade processeual", atacou o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB). "Além da deslealdade processual e da litigância de má fé, eles prejudicam o povo brasileiro [...] É uma postura desleal, um truque. Apelo para que possamos iniciar a sessão em respeito ao povo brasileiro que aqui representamos."

O pedido de agilidade tem motivo. Antes da votação, 68 senadores estão previstos para discursar por até 15 minutos na Tribuna da Casa – o que pode levar 17 horas caso todos sigam o tempo máximo estabelecido. Após isso, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, ainda volta a apresentar a defesa da presidente pelo mesmo período. Se Calheiros afirma que a sessão pode acabar até as 22h, a expectativa da Secretaria da Casa é que ela adentre a madrugada de quinta-feira (12).

A primeira oradora do dia, a senadora Ana Amélia (PP-RS), só foi começar seu discurso às 11h18, mais de duas horas após o horário marcado para o início da sessão. Líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO) chegou a atacar Calheiros por permitir o atraso.

"Já estou com saudades do Raimundo Lira [presidente da comissão especial que elaborou e aprovou o parecer que será votado no plenário do Senado]. Vossa excelência [Renan] tem sido até por demais complacente. Já estamos há mais de uma hora aqui e nada", criticou.

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