'O golpe jurídico e político ameaça conquistas de 13 anos', diz Dilma

Afastada por até 180 dias, presidenta afirmou à imprensa que não vai desistir do seu mandato

Por O Dia

Brasília - Ao som de gritos de apoio, vestida de branco e com aparência abatida, a presidenta afastada Dilma Rousseff fez o seu último discurso no Palácio do Planalto e voltou a dizer que o processo de impeachment é um golpe. "Eu fui eleita por 54 milhões de brasileiros e é neste condição de presidenta eleita que eu me dirijo, nesse momento decisivo para a democracia e para o nosso futuro como nação", afirmou Dilma ao lado de vários apoiadores, entre companheiros de partido e ministros.

Ao lado de dezenas de ex-ministros%2C parlamentares e servidores do Planalto%2C a presidenta afastada Dilma Rousseff faz neste monento um pronunciamento à imprensaReprodução / Mídia Ninja

Segundo Rousseff "o que está em jogo não é o seu mandato e sim um golpe jurídico e político". De acordo com a petista, "as conquistas da população nas últimas décadas estão ameaçadas". Durante o discurso, Dilma reafirmou que o governo Temer não terá legitimidade para governar o país.  Dilma afirmou que o governo de Michel Temer será a grande razão para a "continuidade da crise política do Brasil".

Dilma Rousseff admitiu que pode ter cometido erros, mas enfatizou que não cometeu crimes e que está sofrendo injustiça, a "maior das brutalidades que pode ser cometida".

"Não cometi crime de responsabilidade. Não tenho contas no exterior, jamais compactuei com a corrupção. Esse processo é frágil, juridicamente inconsistente, injusto, desencadeado contra pessoa honesta e inocente. A maior das brutalidades que pode ser cometida por qualquer ser humano: puni-lo por um crime que não cometeu", disse.

Centena de manifestantes em frente ao Palácio do Planalto para discurso de Rousseff Reprodução / Mídia Ninja

Rousseff também atacou o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os investigados na operação Lava Jato. "Eu não tenho conta no exterior. Eu não sou ré ou indiciada em nenhuma investigação. E não virei as costas para a corrupção".

Bastante emocionada, Dilma afirmou que vai lutar com todas as forças para defender o seu mandato. "Nesses anos exerci meu mandato de forma digna e honesta. Em nome de todo o povo do meu país, vou lutar para exercer meu mandato até o fim, até 31 de dezembro de 2018", finzalizou.  

Lula chora antes de fala de Dilma

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-ministro Gilberto Carvalho chegaram minutos antes da fala de Dilma no Palácio do Planalto, onde aguardaram o pronunciamento oficial da presidente. Após sua chegada, Lula foi direto para fora do Palácio, onde cumprimentou os manifestantes pela grade de segurança que cerca o local. O ex-presidente chorou e recebeu rosas que os militantes jogaram em sua direção.

O ex-presidente Lula chorou ao cumprimentar manifestantes na porta do Palácio do Planalto Reprodução / Mídia Ninja

A segurança do Planalto montou um esquema especial para a chegada de Lula pela garagem para que ele pudesse sair diretamente ao pé da rampa do Palácio, onde estão os manifestantes.

"Nossa democracia está sendo objeto de um golpe", diz Dilma a apoiadores

Após a fala, a presidenta saiu do Palácio do Planalto pela porta principal que fica no térreo do prédio e seguiu cercada por dezenas de ex-ministros, parlamentares e servidores do Planalto, para a frente do Palácio onde discursou para centenas de apoiadores. De cima de uma estrutura montada, Dilma fazer um segundo discurso e condenou o processo que ela classificou como "golpe".

Segundo Dilma, o país vive um momento trágico. Ela voltou a negar que tenha cometido crime de responsabilidade e classificou o processo de impeachment contra ela de "golpe". 

"A nossa democracia está sendo objeto de um golpe. Não cometi crime de responsabilidade. Estou sendo objeto de uma grande injustiça, vítima de uma grande injustiça", diz Dilma, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ex-ministros de seu governo.  "Aqueles que perderam as eleições tentam agora chegar ao poder pela força", disse. 

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