Lava Jato mira cinco ex-chefes de governo

Ex-governador Sérgio Cabral está entre os citados em delação por recebimento de propina em obras no estado

Por O Dia

Rio - Em depoimentos à Operação Lava Jato, já homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dois ex-executivos da construtora Andrade Gutierrez disseram que efetuaram pagamentos de propina ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, do PMDB, referentes a diversas obras no estado. Em delação premiada, os ex-executivos Clóvis Peixoto Primo e Rogério Nora de Sá também mencionaram, pelo menos, quatro ex-governadores de outros estados, segundo o ‘Jornal Nacional’, da TV Globo.

Nos depoimentos, os ex-executivos contaram aos procuradores que se reuniram no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, para tratar dos pagamentos e que, nas obras da reforma do Maracanã, do Arco Metropolitano e da urbanização no Conjunto de Favelas de Manguinhos, a proprina foi de 5% dos valores dos contratos. Só a reforma do Maracanã, na época, estava em R$ 600 milhões, segundo Clóvis. Ele disse que, entre 2010 e 2011, Alberto Quintaes, superintendente comercial da Andrade Gutierrez no Rio, fez pagamentos de R$ 300 mil por mês ao ex-governador Sérgio Cabral. O dinheiro, segundo a delação, era entregue a Carlos Miranda que, segundo o delator, era o operador do então governador. Já de acordo com Clóvis Primo, os acertos desses pagamentos eram feitos com Wilson Carlos, secretário de Governo de Cabral, na época.

O ex-governador Cabral foi um dos citados por recebimento de propina em obras no estadoSeverino Silva / Agência O Dia

De acordo com os depoimentos, até nas obras em que não havia dinheiro do estado, Sérgio Cabral exigia o pagamento de propina. Rogério de Sá afirmou que, durante uma reunião para cobrar créditos atrasados do governo com a Andrade Gutierrez, o ex-governador pediu propina de 1% sobre a terraplanagem do Comperj, obra da Petrobras em Itaborá, na Região Metropolitana do Rio.

Em nota, o ex-governador Sérgio Cabral manifestou indignação e repúdio às declarações dos delatores. Ele diz que manteve apenas relações institucionais com a Andrade Gutierrez, que jamais interferiu em processos licitatórios de obras, nem solicitou benefício financeiro próprio ou para campanha eleitoral. Cabral afirmou, ainda, que pautou sua gestão pela autonomia de seus secretários. Sobre o suposto envolvimento do ex-governador em propinas no Comperj, Sérgio Cabral disse que a polícia federal propôs o arquivamento do inquérito por ausência de veracidade e fundamento.

A Andrade Gutierrez confirmou que Alberto Quintaes integra os quadros da empresa, mas nem ele, nem a construtora comentaram as denúncias. O ‘Jornal Nacional’ informou que não conseguiu contato com o ex-secretário Wilson Carlos e com Carlos Miranda.

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