Temer convoca reunião com centrais sindicais para discutir previdência

Ministério do presidente em exercício é investigado pela Lava Jato

Por O Dia

Brasília - Após a reação negativa das principais centrais sindicais do país sobre as mudanças na Previdência Social, anunciadas semana passada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente interino, Michel Temer, convocou as seis maiores centrais sindicais do Brasil para uma reunião hoje, às 15h, em Brasília. Em declaração na última sexta-feira, Meirelles e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmaram que o governo vai aumentar o tempo de contribuição e adotar a idade mínima.

É a primeira tentativa de diálogo com os representantes dos trabalhadores após o anúncio. Até o momento, foram chamadas Força Sindical, Central dos Sindicatos Brasileiros, Nova Central Sindical de Trabalhadores, Central dos Sindicatos Brasileiros, União Geral dos Trabalhadores (UGT), além de Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e a Central Única dos Trabalhadores.

O presidente em exercício Michel Temer e o ministro da Fazenda%2C Henrique Meirelles%2C vão comandar o encontroAgência Brasil

O presidente da UGT, Ricardo Patah, declarou ter receio de que a falta de diálogo que ele observava na gestão de Dilma Rousseff se repita no governo Temer. “Gato escaldado tem medo de água fria”, disse o sindicalista. “Temer falou em confiança quando assumiu o governo; queremos sinais de que o que foi prometido será cumprido”, argumentou.

O encontro é intermediado pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), um dos principais articulares do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados. No entanto, Paulinho criticou o primeiro discurso de Henrique Meirelles e falou que as ideias dele eram “estapafúrdias”. Na última sexta-feira, Meirelles citou em entrevista coletiva que era necessário reformar as regras para deixar a Previdência Social “autossustentável”. No mesmo dia, o titular da Fazenda declarou que era necessário apresentar uma nova idade mínima para as aposentadorias. Não há prazo para apresentação.

PROTESTOS CONTRA TEMER

Grupos contrários ao governo Michel Temer promoveram atos públicos ontem em capitais e no Distrito Federal. Em São Paulo, pelo menos mil pessoas participaram do protesto. Também houve registros em Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis. O evento foi organizado pelo “Coletivo Pela Democracia”. 

MINISTÉRIO INVESTIGADO

Dinheiro de empresas envolvidas no esquema revelado pela Operação Lava Jato irrigou as campanhas de 12 dos 13 ministros nomeados pelo presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), que se candidataram a algum cargo eletivo em 2014. Os recursos foram repassados de forma legal e declarados à Justiça Eleitoral.

De acordo com o levantamento do Estadão, a exceção é Ronaldo Nogueira (Trabalho). Quando concorreu a vaga de deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul, o agora ministro recebeu R$ 393 mil em doações. Na sua prestação de contas não há registro de empresas citadas na Lava Jato.

Os que declararam doações de empresas que estão na mira da Lava Jato foram José Serra (Relações Exteriores), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Blairo Maggi (Agricultura), Maurício Quintela (Infraestrutura, Portos e Aviação), Raul Jungmann (Defesa), e todos os demais. Do grupo, o maior beneficiado é Henrique Eduardo Alves (PMDB). Na campanha para governador do Rio Grande do Norte, o então candidato declarou à Justiça Eleitoral ter recebido um total de R$ 7,8 milhões das empresas acusadas ou investigadas pelo envolvimento no esquema de desvios de recursos da Petrobrás.

O valor é 34% dos R$ 23 milhões declarados como doações na prestação de contas de 2014 do peemedebista.

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