Temer confirma Maria Sílvia Bastos como nova presidente do BNDES

Anúncio ocorre após críticas de que não havia nomeado mulheres para integrar o primeiro escalão de seu governo

Por O Dia

Brasília - Depois de sofrer críticas pela falta de mulheres em seu ministério, o presidente em exercício Michel Temer anunciou ontem a escolha de Maria Silvia Bastos Marques para comandar o BNDES, em substituição a Luciano Coutinho.

Esta é a primeira vez que uma mulher ocupa a presidência do banco. Maria Silva já foi também a primeira mulher a presidir a siderúrgica CSN. E foi presidente, ainda, da Empresa Olímpica Municipal, junto à prefeitura do Rio de Janeiro. 

A economista Maria Silvia será a primeira mulher a presidir o BNDESBanco de imagens

Nascida em Bom Jesus do Itabapoana, no Rio de Janeiro, Maria Silvia Bastos Marques, 59, é bacharel em administração pública pela Escola Brasileira de Administração Pública (Ebap) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mestre e doutora em economia pela mesma fundação.

Desde que passou a receber críticas por escalar um ministério só de homens, o presidente interino orientou sua equipe a encontrar nomes de mulheres para trabalhar em seu governo.

Além de Maria Silvia, a educadora Maria Inês Fini foi escolhida para presidir o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Vinculado ao Ministério da Educação (MEC), o instituto é responsável pela elaboração e aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), entre outros.

Além do BNDES, o governo Temer já prepara mudanças para a Petrobras. O nome de Pedro Parente, ex-ministro de FHC, é o nome mais forte para presidir a estatal.

Quatro dias depois de assumir interinamente a presidência, Temer entrou em rota de colisão com seu ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. O motivo da divergência foi sobre a chefia do Ministério Público Federal.

Michel Temer deve anunciar hoje o nome do ex-ministro Pedro Parente para a presidência da Petrobras Efe

Em entrevista ao jornal ‘Folha de S. Paulo’, Moraes disse que o governo não precisa aceitar o nome mais votado em uma eleição interna dos procuradores. Mais tarde, Temer afirmou que pretende seguir a tradição e acatar o candidato dos procuradores.

Já o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, entrou em contradição com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Geddel se posicionou contra a recriação temporária da CPMF, o chamado imposto sobre cheque. Na semana passada, Meirelles, cogitou a volta do tributo com o objetivo de equilibrar a dívida pública.

Mas Geddel avaliou ontem que “não é o momento” para que a recriação do tributo seja proposta pelo Palácio do Planalto. Ele ponderou, no entanto, que essa é a sua posição pessoal e que poderá apoiar o chamado imposto do cheque caso o presidente interno Michel Temer decida apresentá-lo ao Congresso Nacional.

'Governo usurpador'

Texto divulgado ontem pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, acusa o governo de Michel Temer de “usurpador” e convoca uma “reação popular” ao que chama de “golpe” contra o mandato de Dilma Rousseff.

“Mal começou e o governo usurpador confirma o que já prevíamos”, escreveu Falcão. Segundo ele, Temer tem disposição para “avançar em privatizações, rever políticas sociais e de reforma agrária, bem como acabar com o multilateralismo da política externa brasileira”. “Num ministério sem mulheres e negros, com vários ministros investigados por corrupção, a revogação de direitos não se resume à reforma da Previdência, com fixação de idade mínima”, argumentou o petista.

O texto reflete a tônica das discussões das reuniões, que começaram ontem em Brasília, da executiva e do diretório nacional do PT. É a primeira vez que a cúpula do partido se reúne após o afastamento de Dilma. O ex-presidente Lula avisou que não comparecerá ao evento.

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