Por rafael.souza

Bras√≠lia - A diretora-geral da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde, Margaret Chan, apelou para que o novo governo brasileiro mantenha os planos de luta contra o v√≠rus zika e alerta que, ainda que o ministro mude na pasta de Sa√ļde no Brasil ou que haja uma nova estrat√©gia, a situa√ß√£o n√£o.

"Tomei nota da mudança no Brasil. Mas as evidências não mudam. Governos mudam, mas a ciência, não. Esperam que continuem o que vinha sendo feito", declarou a diretora, insistindo que o combate está longe de ser declarado como encerrado. "Quanto mais aprendemos de zika, mais preocupados ficamos", disse Chan, lembrando que o risco mudou ao longo dos anos.

Governo Dilma realizou uma série de campanhas para envolver toda a população brasileira no combate ao Aedes aegyptiAgência Brasil

Segundo ela, um dos principais desafios do governo a partir de agora ser√° o de lidar com o impacto de longo prazo do impacto do zika e da microcefalia. "O sistema de sa√ļde ter√° de ser reposicionado", disse, ao responder ao Estado. "Existem alguns sistemas de sa√ļde que s√£o bons para lidar com emerg√™ncias. Mas agora os governos precisam monitorar com essas crian√ßas afetadas v√£o crescer."

"Já estamos tendo notícias de algumas delas com problemas de audição, visual", explicou. "Temos de avaliar como será o impacto no desenvolvimento delas." Isso, em sua avaliação, exigirá um plano de "longo prazo".

Olimpíada

Sobre os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, Chan tem sido pressionada por especialistas que apontam que a OMS deveria recomendar o adiamento do evento, diante do vírus. Mas não apenas rejeitou a proposta como garantiu que estará no Rio. "Vai ser fantástico", disse.

Seu objetivo é o de mostrar que não existe motivo para um cancelamento. Mas, ao dar sua avaliação sobre o evento, ela apenas recomenda que mulheres grávidas devam evitar o Rio. "Grávidas devem evitar viajar aos locais com transmissão", disse, lembrando que a decisão de ir ou não ao Rio deve ser algo pessoal.

"Compartilho das preocupa√ß√Ķes. Mas essa √© uma decis√£o individual ou de grupo. Nosso papel √© o de dar a melhor informa√ß√£o poss√≠vel", afirmou.

Ela, porém, rejeita qualquer ideia de adiar o evento. "Não podemos parar o mundo", disse. "Estamos apoiando o Brasil diretamente e por meio do COI (Comitê Olímpico Internacional) para que coloquem medidas para reduzir a densidade de mosquitos "

Em sua avaliação, a melhor forma de lidar com o problema hoje no Brasil é o de tomar medidas focadas, como a de evitar a viagem de grávidas e reduzir a densidade de mosquitos nos locais de provas. "Sentimos que ter metas é importante", declarou.

Parte da recomenda√ß√£o tamb√©m √© dirigida para homens que ir√£o aos Jogos e, na volta a seus pa√≠ses de origem, podem trazer o v√≠rus com eles. "Ao retornar, esses homens precisam usar preservativos em suas rela√ß√Ķes sexuais, principalmente se suas mulheres estiverem gr√°vidas. Sugerimos que o uso de preservativo seja permanente at√© o final da gesta√ß√£o. Ou que haja uma abstin√™ncia", declarou a diretora-geral da OMS. "Mas, mesmo em casais que n√£o estejam esperando um filho, recomendamos que preservativos sejam usado ao retornar de locais contaminados."

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