Michel Temer promete mais verbas para Cultura

Prédios em pelo menos 11 capitais foram ocupados em protesto contra a união da pasta com o Ministério da Educação

Por O Dia

Brasília e Rio - Em meio à ocupação de prédios em pelo menos 11 capitais contra o fim do Ministério da Cultura, o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), anunciou nesta quarta-feira Marcelo Calero na Secretaria Nacional de Cultura e prometeu ampliar os recursos da área. Até terça, Calero era secretário de Cultura do prefeito Eduardo Paes.

Em áudio distribuído à imprensa, o presidente em exercício, Michel Temer, também garantiu aumento no orçamento para a área a partir do próximo ano. Não detalhou, no entanto, o valor do crescimento. “Quando trouxemos a Cultura para a área da Educação, não foi para reduzir a atividade cultural no Brasil”, disse Temer. “Ao contrário, haverá uma potencialização da cultura brasileira.”

O grupo Digitaldubs se apresentou nesta quarta-feira no pilotis do Palácio Gustavo Capanema%2C sede do MEC no RioMárcio Mercante / Agência O Dia

A integração do Ministério da Cultura ao da Educação tem provocado protestos e até ocupações de prédios públicos. Nesta terça, os cantores e compositores Arnaldo Antunes e Otto apresentaram-se sob os pilotis do Palácio Gustavo Capanema, sede do Ministério da Educação no Rio, em apoio à ocupação iniciada na segunda-feira passada, como forma de protesto contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

Anunciado, Caetano Veloso decepcionou quem o esperava. O artista não havia aparecido até as 18h30. Mas seu show foi remarcado para amanhã, que terá também Erasmo Carlos. Hoje, terá apresentação Lenine, Frejat, Pedro Luiz e Leoni.

O movimento Ocupa MinC RJ é integrado por profissionais do setor cultural que defendem o fim do governo Temer. Eles divulgaram que não se manifestarão sobre a escolha do diplomata Marcelo Calero para a nova Secretaria Nacional de Cultura, subordinada ao Ministério da Educação. Uma manifestação em apoio à ocupação do MinC está marcada para esta quinta-feira, às 18h, na Candelária. De lá, a passeata segue rumo ao Palácio Capanema. 

Após a recusa de cinco mulheres%2C Marcelo Calero assumiu a Cultura Fabio Rodrigues Pozzebom / Abr

O ato é contrário à fusão proposta pelo presidente em exercício Michel Temer, que juntou as duas pastas – a Cultura, agora, passa a ser uma secretaria dentro do Ministério da Educação. Cerca de 50 manifestantes estão instalados no segundo andar do palácio.

A descrição do evento no Facebook, que, até a publicação o início da noite desta quarta, contava com mais de 4 mil confirmados, também expõe a indignação diante do processo de impeachment de Dilma Rousseff: “A presidenta Dilma Rousseff ainda não sofreu o impeachment e somente nas ruas podemos fazer com que ela dê continuidade ao seu mandato, que, ao contrário do Temer, é legítimo.” Na rede social, a página Ocupa MinC RJ já chega a mais de oito mil curtidas.

O queridinho dos artistas

A escolha de Marcelo Calero para a Secretaria Nacional de Cultura é uma tentativa de Michel Temer de seduzir os artistas do Rio de Janeiro, núcleo principal dos protestos contra o fim da pasta e sua anexação ao Ministério da Educação. Diplomata e responsável por organizar a festa pelos 450 anos do Rio, comemorados em 2015, Calero tem bom trânsito junto a classe artística.

Tanto é assim que na segunda-feira, antes do convite, ele participou de um ato realizado por artistas e coletivos em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Durante o ato, artistas assinaram uma carta aberta que pedia a volta do Ministério da Cultura. A Secretaria de Cultura é, agora, subordinada ao Ministério da Educação.

Segundo a Secretaria Municipal de Cultura do Rio, Calero aceitou convite da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) para comparecer ao ato e ouvir as demandas da classe artística. Antes de Calero, Temer convidou cinco mulheres que recusaram o convite para assumir a Secretaria.

Colaborou o estagiário Caio Sartori

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