Pivô do impeachment de Collor, PC ajudou campanhas de Renan, diz ex-deputado

Pedro Corrêa (PP-PE) afirma em delação premiada que presidente do Senado fez campanhas eleitorais com recursos arrecadados pelo ex-tesoureiro da campanha do hoje senador

Por O Dia

Brasília - Em delação premiada na Operação Lava Jato, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), afirmou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez "campanhas eleitorais com recursos arrecadados por PC Farias" – em referência a Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Melo (PTC-AL), morto em 1996.

"Renan fez suas campanhas com o dinheiro arrecadado por PC Farias", registra o Anexo 51, um resumo da delação de Corrêa fechada com a Procuradoria-Geral da República sobre Renan Calheiros.

Paulo César Farias%2C ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Melo (PTC-AL)%2C morto em 1996Reprodução

O presidente do Senado é investigado por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. Os dois primeiros delatores da Lava Jato, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, mencionaram a existência de acordo com Renan e membros da cúpula do PMDB que teria beneficiado o senador em R$ 6 milhões em propinas, em 2006.

A acusação de Corrêa remonta à década de 1990. PC foi tesoureiro da campanha presidencial de Collor, em 1989, e pivô do impeachment, em 1992. Anteriormente adversários, Renan, já deputado federal, foi primeiro líder do governo Collor na Câmara. E, durante o escândalo que resultou no impeachment, acusou PC de comandar "um governo paralelo" no Palácio do Planalto.

Corrêa afirmou que em todos eles recebeu propina de empresários beneficiados por indicados por ele em cargos estatais, por contratos públicos. No caso do elo entre Renan e PC, o ex-deputado diz que conhecia o ex-tesoureiro desde a infância.

Por meio de nota, a assessoria de Renan garante que o presidente do Senado "nunca manteve relações políticas ou pessoais com Pedro Corrêa". O texto afirma que todas as doações às suas campanhas foram legais e aprovadas pela Justiça e que ele que não foi candidato em 2006. Collor também nega irregularidades

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