Eduardo Cunha deverá fazer delação premiada, diz jornal

Decisão teria sido acertada e defendida, em reunião nesta madrugada, por uma ala dos advogados que defende o presidente afastado da Câmara

Por O Dia

Brasília - Após várias derrotas seguidas — por ele e sua família nos últimos dias — Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Câmara dos Deputados, e seus defensores passaram a considerar a possibilidade do político fazer uma delação premiada. A proposta foi defendida por uma ala do núcleo jurídico que defende Cunha. A decisão foi proposta nesta madrugada, após uma reunião na residência oficial da Câmara que se estendeu até as 3h. A informação é do "Estadão".

Eduardo Cunha e sua mulher%2C Cláudia Cruz%2C negam envolvimento em crimesGustavo Lima/Câmara dos Deputados

Segundo o jornal, um advogado do peemedebista afirmou, que ele não estaria disposto a fazer delação, mas “não descarta nenhuma hipótese”. De acordo com este interlocutor, a possibilidade ganhou mais força depois da derrota no Conselho de Ética, do bloqueio de bens dele e da mulher, a jornalista Cláudia Cruz, da multa estipulada pelo Banco Central e da exclusão de Cunha do rol de pedidos de prisão indeferidos pelo ministro Teori Zavascki. Segundo um dos aliados de Cunha, “ele está mais incomodado com a situação da Cláudia”, disse o assessor à Coluna do Estadão, em referência à mulher de Eduardo Cunha, que tornou-se ré do juiz federal Sérgio Moro. 

De acordo com a publicação, que está no portal do jornal, dois advogados da equipe de defesa do presidente afastado da Câmara já negociaram delação premiada para outros clientes. Fernanda Tórtima defende Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro que gravou conversas comprometedoras com a cúpula do PMDB, e Pierpaolo Bottini intermediou a delação de executivos da Camargo Corrêa.

A reportagem do "Estadão" afirmou, que, na reunião desta madrugada, Cunha descartou, mais uma vez, a possibilidade e afirmou que não vai renunciar à presidência da Câmara. Políticos ligado ao peemedebista afirmaram a reportagem que ele vai “esticar a corda até o último segundo”, pois “o jogo só acaba quando o juiz apita”, afirmaram.

No encontro, também foram definidos os próximos passos da defesa de Cunha na tentativa de salvar o peemedebista da cassação, o que ficou mais difícil depois que o Conselho de Ética aprovou ontem parecer contrário ao presidente afastado.

Até o início da próxima semana, a defesa de Cunha vai, além de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), judicializar o processo no Conselho de Ética. A ideia dos advogados não é atacar a decisão, mas apontar que Cunha teve cerceado seu direito de defesa por não poder ir à Câmara. Ontem, Cunha cogitou ir à sessão do colegiado, mas recuou diante da possibilidade de ser preso por desobedecer decisão judicial.

Em uma rede social, Eduardo Cunha negou a informação e afirmou que ela é "inexistente". Segundo o político, ele não fez reunião durante a noite de ontem. Afirmou que apenas recebeu amigos e em nenhum momento tratou do tema descrito pela matéria. O comunicado segue afirmando que, ele jamais falou "com quem quer que seja de delação, até porque não pratiquei crime e não tenho o que delatar". Por fim, o peemedebista reafirmou que é inocente da acusação aceita pelo Conselho de Ética.

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