Alta dos preços dos alimentos vai pressionar a inflação

O clima atípico dos últimos dias, com frio intenso em várias regiões do país, deve influenciar

Por O Dia

Rio - A resistência de alta dos preços dos alimentos vai incomodar a inflação nos próximos meses, à medida que produtos agropecuários seguem avançando, em razão da quebra de safra de grãos. Como os efeitos desse encarecimento no atacado ainda não foram percebidos totalmente no varejo, a análise de analistas ouvidos pela agência Estadão Conteúdo é de que os índices de preços ao consumidor sejam pressionados nesta época do ano, quando normalmente se espera algum alívio. Além da pressão, o clima atípico dos últimos dias, com frio intenso em várias regiões do país, deve influenciar a inflação, colocando risco de alta nas projeções para o IPCA de 2016.

Na última quarta-feira, mais um indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) reforçou o avanço da inflação atacadista. O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) atingiu 1,42%, puxado especialmente pelo atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) teve variação de 1,89%, com o IPA Agropecuário indo a 4,91% e o Industrial, a 0,70%.

Embora o efeito da alta de preços no atacado não seja direto, ele acaba por pressionar produtos que usam as matérias-primas como insumo. "A parte de proteínas é a que a mais pode sofrer influência. Leite está subindo, um pouco fruto disso. As altas ainda são limitadas. Se esse quadro se prolongar, a ponto de comprometer a oferta, pode gerar mais inflação, por mais que o consumidor esteja resistindo, devido à recessão econômica", analisa o economista Pedro Ramos, do Banco Sicredi. O economista Elson Teles, do Itaú Unibanco, reforça que as condições climáticas mais adversas podem resultar em alta de preços dos alimentos ao consumidor este ano.

Elevação será repassada

As quebras de safras da soja e do milho têm penalizado os preços do atacado no país, o que deve ser repassado nos próximos meses aos consumidores, avalia Márcio Milan, analista da Tendências Consultoria Integrada.

Elson Teles, do Itaú Unibanco, ressalta que na última revisão de cenário do Itaú Unibanco já incorporou alta na previsão para o IPCA de 2016, em razão do avanço dos preços de alguns preços agrícolas. “Por isso, elevamos a projeção para Alimentação no domicílio de 8,8% para 10% e para IPCA, de 6,9% para 7,2%”, conta.

O analista econômico Everton Carneiro, da RC Consultores, acredita que as chuvas recentes no Sudeste terão impacto nos preços dos alimentos. Neste aspecto, avalia que serão diretamente afetados os segmentos de hortaliças e verduras, além de tubérculos, raízes e legumes.

Milan, da Tendências, avalia que há riscos de o BC adiar o ciclo de redução da taxa de juros Selic, terminando o ano em 12,75%.

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