STF começa a julgar segunda ação penal contra Eduardo Cunha

A denúncia foi apresentada em março pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Por O Dia

Brasília - Por 11 votos a zero, os ministros do Supremo Tribunal Federal transformaram em réu, pela segunda vez, na Lava Jato, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os ministros aceitaram ontem denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República sob acusação de que dinheiro desviado de contrato da Petrobras na África abasteceu contas secretas no exterior mantidas por Cunha e seus familiares.

O peemedebista teria recebido mais de R$ 5 milhões, que teriam custeado despesas luxuosa da família no exterior. Nesta ação penal, Cunha responderá pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica para fins eleitorais.

O deputado federal e presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)Lula Marques/Agência PT

Afastado desde 5 de maio do mandato e da presidência da Câmara, Cunha é alvo de outras cinco ações no Supremo – das quais quatro na Lava Jato. Com a decisão de ontem do Supremo, a situação política de Cunha fica ainda mais frágil. Na semana passada, o Conselho de Ética da Câmara aprovou a abertura de processo de cassação do mandato do peemedebista.

No julgamento, o relator da Lava Jato, Teori Zavaski, disse que há elementos robustos de que Cunha agiu politicamente em desvios na Petrobras, se beneficiou do esquema recebendo propina que abasteceu suas contas no exterior e agiu para ocultar a origem dos valores.
O Supremo também rejeitou recurso da jornalista Cláudia Cruz e de uma das filhas de Cunha para que sejam investigadas na Corte juntamente com ele. A maioria dos ministros entendeu que a conduta de Cruz e Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, mulher e filha respectivamente, são autônomas em relação às praticadas pelo deputado no caso das contas secretas no exterior.

Uma das quatro contas encontradas na Suíça, que teriam sido abastecidas por propina de um negócio da Petrobras na África, estava em nome de Cruz e tinha Danielle como beneficiária.
Em defesa oral, a advogada Fernanda Tórtima sustentou que não ficaram comprovadas as acusações contra Cunha de receber propina em contas no exterior.

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