PF prende 3 dos 5 investigados por lavagem envolvendo a empreiteira Delta

Um dos presos é o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira

Por O Dia

Rio - A Polícia Federal (PF) prendeu três pessoas na Operação Saqueador, investigação em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), que apura a lavagem de R$ 370 milhões e foi deflagrada na manhã desta quinta-feira. Ao todo, a PF cumpre cinco mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva no Rio, em São Paulo e em Goiás. A empreiteira Delta está no centro do esquema.

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Bicheiro é alvo de novas denúncias na JustiçaReprodução

Um dos presos em Goiás é o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, também foi preso em Goiás. Em São Paulo, foi detido o operador de propinas Adir Assad, investigado na Operação Lava Jato e já condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 10 meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Outra pessoa com a prisão preventiva pedida é Marcelo Abud, que estaria para se apresentar à PF, conforme uma fonte com conhecimento do assunto. Fernando Cavendish, dono da Delta, teve a prisão pedida, mas não foi encontrado pela PF em sua residência, no Leblon, zona sul do Rio.

A Polícia Federal informou nesta manhã que as investigações da Operação Saqueador já duram três anos. Foram pedidos o indiciamento de 29 pessoas, mas o MPF denunciou 23 à Justiça.

18 empresas de fachada para lavar R$ 370 mi

As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) que apuram a lavagem de R$ 370 milhões envolvendo a empreiteira Delta e o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, apontam para o uso de 18 empresas de fachada, criadas pelos operadores do esquema.

Segundo a denúncia do MPF oferecida à Justiça Federal, 96,3% do faturamento da Delta entre 2007 e 2012 foi oriundo de verbas públicas, chegando a R$ 11 bilhões. A denúncia foi oferecida contra 23 pessoas, incluindo Cavendish, Cachoeira, o doleiro Adir Assad, Marcelo Abbud e proprietários e contadores de empresas fantasmas - conforme nota divulgada na manhã desta quinta-feira pela assessoria de imprensa da Procuradoria Regional da República do Rio.

As empresas fantasmas lavavam os recursos públicos por meio de contratos fictícios, que eram sacados em espécie, para o pagamento de propina a agentes públicos, de forma a impedir o rastreamento das verbas. A nota do MPF não cita o envolvimento de políticos.

Denúncia foi oferecida contra 23 pessoas%2C incluindo Cavendish%2C Cachoeira e AssadDivulgação

Ainda conforme a denúncia do MPF, as empresas fantasmas só existiam no papel. As firmas não tinham sedes, nem funcionários, e havia incompatibilidade entre receita e movimentação financeira identificada pela Receita Federal. Além disso, informou o MPF, todas as empresas tinham os mesmos contadores.

"As empresas de Adir Assad e Marcelo Abbud emitiam notas frias não só para a Delta, mas para muitas outras empresas. No mesmo período de 2007 a 2011, foi transferido para essas empresas fantasmas mais de R$ 885 milhões. A organização criminosa também serviu ao esquema de corrupção da Petrobras, de acordo com a Operação Lava Jato", diz a nota do MPF.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a utilização, nas investigações da Operação Saqueadores, de trechos da delação premiada de pessoas ligadas à empreiteira Andrade Gutierrez e investigadas na Operação Lava Jato, também da PF e do MPF.

Segundo a Procuradoria do Rio, embora a delação ainda seja sigilosa, "confirma o que foi apurado, demonstrando que a Delta era uma empresa voltada fundamentalmente a esquemas de corrupção em obras públicas, em especial, no Rio".

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