Brasileiros presos pela Polícia Federal juraram fidelidade ao Estado Islâmico

Segundo Ministro da Justiça não há garantia que os acusados tenham tido contatos físicos com os terroristas

Por O Dia

Rio - Cerca de 130 policiais cumpriram em todo o País, 10 mandados de prisões temporárias, duas conduções coercitivas e 19 buscas e apreensões nos estados — do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul —  expedidos pelo juiz federal Marcos Josegrai da Silva, titular da  14ª Vara Federal de Curitiba. A Operação Hashtag teve como o objetivo prender uma célula de integrantes brasileiros que fazia parte do grupo terrorista Estado Islâmico e que pretendiam praticar atos terroristas no país durante as Olimpíadas, entre os dias 5 e 22 de agosto, no Rio de Janeiro. 

LEIA MAIS: Polícia Federal prende grupo que preparava atentado nas Olimpíadas

As investigações começaram em abril, no Paraná, com o acompanhamento de um grupo de investigados nas redes sociais. Os envolvidos participavam de um grupo virtual denominado "Defensores da Sharia" e planejavam adquirir armamentos para cometer crime no Brasil e até mesmo no exterior, informa a Polícia Federal. A célula foi acompanhada nas redes sociais pela Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal (DAT). Uma ONG com atuação na área humanitária e educacional também é investigada por participação no caso.

Sede da Polícia Federal no Paraná Reprodução

Na manhã desta quinta-feira, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes afirmou que as investigações identificaram simpatizantes, apologistas e até mesmo membros 'batizados' do Estado Islâmico. Por meio das redes sociais, eles já estariam realizando atividades preparatórias específicas para os Jogos Olímpicos. Alguns dos indivíduos já estariam comprando armas do modelo AK-47 importadas do Paraguai. A inteligência da Polícia Federal rastreou o pedido e acabou efetuando prisões dessa forma.

"É um assunto delicadíssimo, que exige a devida transparência. Porém, a transparência não pode afetar as investigações nem a sociedade. Qualquer nova informação relevante será passada à imprensa, para que não sejam divulgadas informações errôneas que levem ao pânico desnecessário."

De acordo com a PF, todos os envolvidos na investigação responderão individualmente, na medida de suas participações, pelos crimes de promoção de organização terrorista e realização de atos preparatórios de terrorismo, ambos previstos na Lei 13.260/2016. A pena para o primeiro crime é de cinco a oito anos de prisão, além do pagamento de multa. Para quem executa atos preparatórios, a pena varia de três a 15 anos de prisão.

Estado Islâmico 

De acordo com informações do ministro da Justiça, baseado em informações de seus pares, a maioria dos membros dos grupos de conversas online não se conhecia pessoalmente. Alexandre de Moraes explica que a Lei Antiterrorismo permite emitir mandatos de prisão por atos preparatórios, como tentar comprar arma para praticar ato de terrorismo. Os dois atos preparatórios mais fortes são os treinamentos de artes marciais e treinamentos de tiros. Não havia ato de financiamento.

"Um líder começou a dizer que era preciso pensar em ato de financiamento. Todos os presos são maiores de idade. Não havia nenhum alvo específico até agora determinado pelo grupo suspeito de terrorismo", de acordo com o ministro. "Apreendemos muito material, muito ainda deve ser apurado. Nas mensagens, um menor de idade foi citado nas conversas do grupo. Eles nunca marcaram um encontro pessoal entre eles, dos brasileiros com representantes do Estado Islâmico. Havia dois deles que já foram condenados e cumpriram seis anos por homicídio."

Todas as investigações da Polícia Federal apontam para a afirmação de que o grupo brasileiro não era organizado a ponto de oferecer perigo imediato. "Não era uma célula organizada, quando partiu a ordem de treinamento, era para que cada um cuidasse por si. Continuo com a mesma avaliação, temos de tomar muito mais cuidado com a segurança pública do que com a possibilidade de terrorismo (no Brasil, durante os Jogos Olímpicos do Rio). As duas possibilidades bem pequenas e que saíram do normal era do professor francês deportado na última sexta e desse grupo."  Moraes disse também que informação sobre países envolvidos na operação é sigilosa. "Batismo de alguns dos membros foi virtual, não houve contato direto com EI. Cerca de cinco membros do grupo suspeito de terrorismo fez o bastimo do EI pela internet", segundo ele.

Alexandre de Moraes%2C ministro da Justiça Lula Marques/ Agência PT

Embora a tensão e preocupação tenham aumentado com a ação da PF, o ministro Alexandre Moraes destacou em sua entrevista que os suspeitos presos não aprofundaram questões para a execução de atentatos terroristas nos Jogos Olímpicos, não citaram bombas, por exemplo. Destacou que foi a Justiça Federal do Paraná que emitiu a ordem judicial porque o líder do grupo era de Curitiba. "Era uma célula absolutamente amadora, sem nenhum preparo. Uma célula organizada não iria procurar comprar uma arma pela internet", entende. "Reitero, por isso a questão da segurança pública é muito mais importante e gera mais preocupação. Nenhum órgão de segurança poderia ignorar esses fatos preparatórios. Não seria de bom senso aguardar para ver", disse o ministro. A ação acontece 15 dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos.

Alerta

O desmantelamento do suposto grupo terrorista no Brasil não muda a avaliação do ministro em relação ao perigo de atentados durante a Olimpíada. Alexandre de Moraes fez questão de deixar claro seu posicionamento sobre isso. "Não vamos esperar um milímetro de ato preparatório para agir, por mais insignificante que seja, vai ter operação rápida e dura. Não aumentou o risco, a nossa classificação de risco continua a mesma, a probabilidade é mínima de que haja ataque terrorista no Rio. A possibilidade não é só no Brasil, é no mundo todo", disse o ministro.



Últimas de Brasil