PT pede a candidatos defesa de Lula na propaganda eleitoral

Apesar da orientação, partido afirmou que apoio é opcional

Por O Dia

São Paulo - O Diretório Nacional do PT determinou nesta sexta-feira, que todos os candidatos a prefeito do partido em capitais, cidades com possibilidade de 2.º turno e municípios onde existe geração de rádio e TV, usem seus espaços no horário eleitoral gratuito para fazer a defesa de Luiz Inácio Lula da Silva após o ex-presidente ser alvo de denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, a direção do partido vai elaborar uma nota padrão com aproximadamente 30 segundos de duração que será distribuída a todos candidatos nos próximos dias. Embora se trate de uma orientação formal do partido, a divulgação não será obrigatória.

"Não vamos ficar discutindo com cada prefeito. Vamos remeter a nota e dizer que esta é uma orientação do Diretório Nacional, mas não é obrigatória. Estamos fazendo a disputa eleitoral. Existem visões diferentes", disse Falcão.

A orientação é o primeiro sinal do impacto negativo da denúncia de Lula sobre o PT. A defesa do petista soterrou todos os demais temas que deveriam ser discutidos na reunião ampliada da cúpula partidária realizada anteontem em um hotel na região central de São Paulo.

Originalmente, a direção do partido esperava que a reunião do diretório funcionasse como uma plataforma para alavancar os movimentos "Fora, Temer" e "Diretas-Já", marcar a data do congresso nacional da legenda e dar a largada para a reformulação da direção partidária - bases para o projeto de reconstrução do PT depois do impeachment de Dilma Rousseff.

"O congresso cumpre essa estratégia de fechamento de um ciclo e abertura de um novo ciclo no PT", disse o tesoureiro do partido, Márcio Macedo.

A defesa de Lula, no entanto, ofuscou todos os demais temas. A decisão sobre a reformulação das direções foi adiada para o dia 7 de outubro, quando o partido também vai definir data e o formato do congresso nacional do PT. Os dois temas foram objetos de debates intensos entre a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) e as demais forças do partido.

O único consenso é o de que o mandato da atual direção, que iria até o final do ano que vem, será abreviado, e a escolha da nova cúpula acontecerá no primeiro semestre de 2017. As definições sobre a forma de eleição (direta ou por delegados) e o alcance do congresso foram engolidos pela defesa de Lula.

Nos momento em que o encontro foi aberto à imprensa, não se ouviu um único grito de "Fora, Temer" ou "Diretas-Já", embora o assunto tenha sido incluído na curta resolução política aprovada pelo diretório.

"A reunião do diretório, vocês praticamente acompanharam, a maior parte dela foi tomada pela nossa solidariedade ao presidente Lula e pelo pronunciamento dele", disse Falcão.

Golpe continuado

A resolução, redigida por Marco Aurélio Garcia e Breno Altmann, reafirma a tese do "golpe continuado", segundo a qual a ofensiva da Lava Jato contra Lula faz parte do mesmo movimento que levou ao impeachment de Dilma e tem como objetivo final impedir o ex-presidente de disputar a eleição de 2018 e banir o PT da política.

"O que pretendem as elites é incriminar Lula, ilegalizar o PT e destruir a esquerda para realizar, sem a sustentação de votos, um dos mais regressivos e selvagens programas de orientação neoliberal", diz o texto.

Mobilizações

Falcão admite que a denúncia da Lava Jato contra o ex-presidente é prejudicial ao partido, mas acredita que a forma como o Ministério Público Federal anunciou a medida tem o potencial de reforçar as mobilizações de rua.

"Embora seja ruim para nós porque o Lula tem de cuidar da sua defesa, o primeiro impacto aparece como uma coisa negativa, por outro lado reforça as mobilizações porque todo mundo viu um exagero", afirmou o presidente nacional do PT.

As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo marcaram para domingo mais um ato contra Temer na Avenida Paulista.

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