PF nega ter informado ministro da Justiça da operação que prendeu Palocci

Polícia Federal afirma que conduta é padrão, mas sugere que Alexandre de Moraes 'não se ausente de Brasília'

Por O Dia

Brasília - Em nota divulgada nesta segunda-feira,, a Polícia Federal informou que o Ministério da Justiça não foi avisado sobre o conteúdo da Operação Omertà, deflagrada nesta segunda e cujo alvo principal é o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci. Porém, sugeriu ao titular da pasta, Alexandre de Moraes, que não se ausentasse de Brasília, pois o caso poderia demandar sua atuação.

A PF explicou que a conduta adotada desta vez é padrão. Esclareceu ainda que, em relação à 35ª fase da Lava Jato, o procedimento de "compartimentação e cuidado com a informação, que caracterizaram as quase 500 operações deflagradas este ano", foi o mesmo.

"Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento de seu conteúdo", diz a nota, acrescentando que as datas de "desencadeamento das operações especiais de polícia judiciária são acompanhadas "apenas pelos responsáveis pela coordenação operacional".

"Como já foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais. No entanto, é sugerido ao seu titular que não se ausente de Brasília nos casos que possam demandar sua atuação, não sendo informado a ele os detalhes da operação", explicou a PF.

Alexandre de Moraes minimiza declaração

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, minimizou seus comentários feitos no domingo sobre a possibilidade de "ter mais" episódios esta semana relacionados à Operação Lava Jato.

"Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", disse o ministro, que participou no domingo de evento de campanha do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), candidato a prefeito de Ribeirão Preto (SP).

Alexandre de Moraes minimizou polêmica e disse sua fala foi em resposta à "preocupação" de "movimentos que são contra a corrupçãoAgência Brasil/Rovena Rosa

Sob pressão, o ministro afirmou nesta segunda-feira, 26, que sua fala foi em resposta à "preocupação" de "movimentos que são contra a corrupção". "Antes tinham me perguntado em Franca, no dia anterior eu tinha estado em Jundiaí, São José dos Campos. Todos os movimentos que são contra a corrupção estavam preocupados, até porque parte da imprensa vinha noticiando, eu diria mais, parte da imprensa vinha defendendo que a Operação Lava Jato deveria parar, que teria exagerado na quinta-feira na prisão do ex-ministro Mantega, que a policia federal teria exagerado e eu, desde quinta, já reiterei que a Polícia Federal age segundo mandado judicial", afirmou o titular da Justiça em evento realizado em São Paulo. Segundo ele, a reportagem da Broadcast Político "truncou" sua fala.

Sua declaração de domingo fez com que a força-tarefa da Lava Jato iniciasse coletiva sobre a 35ª fase da ação, realizada na manhã desta segunda-feira, 26, em Curitiba, com depoimento em resposta ao ministro. A Polícia Federal afirmou que não avisou com antecedência o ministro da Justiça sobre a deflagração da Operação Omertà, que prendeu o ex-ministro Antonio Palocci.

"Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento do seu conteúdo. Da mesma forma, as datas de desencadeamento de operações especiais de Polícia Judiciária são acompanhados apenas pelos responsáveis pela coordenação operacional", destacou o delegado Igor Romário, da PF.

O delegado disse que "como foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o ministro da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais".

Últimas de Brasil