Zwi Skornicki confirma ao TSE que pagou US$ 4,5 milhões a Mônica Moura

O empresário atuava como representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels, que tinha contratos com a Petrobras

Por O Dia

Brasília - Em depoimento ao corregedor-geral eleitoral, ministro Herman Benjamin, o engenheiro Zwi Skornicki confirmou ter feito pagamento de US$ 4,5 milhões a Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana, a pedido de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.  Skornicki foi ouvido pelo corregedor em ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Skornicki atuava como representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels, que tinha contratos com a Petrobras.

A ação foi movida pelo PSDB que pede a cassação da chapa vencedora da eleição presidencial de 2014, formada por Dilma Rousseff e Michel Temer. Na ação, o partido alega que há irregularidades fiscais na campanha de 2014, relacionadas a doações de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

O ex-marqueteiro do PT, João Santana e sua esposa Mônica Moura Reprodução

Skornicki prestou depoimento no dia 16 de setembro e o conteúdo foi tornado público nesta quinta-feira pelo TSE. Segundo o empresário, o pagamento a Mônica Moura foi feito por meio de uma conta no exterior. O engenheiro contou que o repasse ocorreu depois de uma conversa com Vaccari.

“Foi objeto de conversa com o Vaccari, que me disse que a senhora Mônica Moura iria me procurar e que eu deveria pagar a ela US$ 5 milhões de dólares. Não me disse se era para essa campanha [de 2014] ou campanhas anteriores ou campanhas futuras, ou débito, nem nada, simplesmente disse: - Eu tenho uma conta corrente com o senhor – ele falava comigo – e dessa conta corrente, me faça o favor, pague 5 milhões de dólares a Mônica Moura”, afirmou o empresário no depoimento. Dos US$ 5 milhões solicitados, Skornicki disse que pagou US$ 4,5 milhões divididos em nove parcelas.

O engenheiro disse ainda que nem Vaccari e nem Mônica Moura falaram para que o dinheiro seria usado. O pagamento foi feito entre 2013 e 2014. 

Durante o depoimento, Zwi Skornicki foi perguntado se em algum momento houve uma “previsão de ameaça” caso os pagamentos não fossem feitos. “Cara a cara, nunca houve nenhuma, mas o senhor sentia subliminarmente que, realmente, existia alguma coisa por trás, que se não participasse, alguém, outro faria o gol no meu lugar. Quer dizer, no lugar da Keppel.”