Três cidades do Distrito Federal começam racionamento de água

Nível de água da Barragem do Descoberto está abaixo da média histórica

Por O Dia

Distrito Federal - Os moradores das cidades satélites de Ceilândia Oeste, Recanto das Emas e Riacho Fundo II, todas localizadas há cerca de 30 km do centro de Brasília, enfrentam desde as 8h desta segunda-feira racionamento de água – o primeiro na história do Distrito Federal. A interrupção total no abastecimento vai até as 8h de terça-feira. Nos dois dias seguintes, o fluxo de água se normalizará aos pouco até voltar ao normal na próxima quinta, quando ficará assim até sábado.

Nível de água da Barragem do Descoberto está abaixo da média histórica%2C o que motivou racionamento em três cidades satélitesFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O racionamento de água atingirá cerca de 65% da população do Distrito Federal e, segundo a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), ocorrerá em ciclo de seis dias: um dia com interrupção completa, dois dias de estabilização e três de fornecimento normal. No sétimo dia, o corte é retomado. Além dos moradores de Ceilândia, Recanto das Emas e Riacho Fundo, serão atingidos pelo racionamento moradores de Taguatinga, Vicente Pires, Águas Claras, Samambaia, Gama, Santa Maria, Núcleo Bandeirante, Park Way, Guará e Candangolândia.

O corte foi anunciado na última quinta-feira  pela Caesb que, na ocasião, também recomendou aos moradores das regiões atingidas pelo racionamento que não estocassem água, por acreditar que o volume das caixas residenciais já é suficiente para atender aos moradores – desde que o uso seja de forma racional. A empresa também alertou que alguns reservatórios de água podem ser foco do mosquito Aedes aegypti.

Apesar da recomendação, moradores de Ceilândia ouvidos pela reportagem na manhã desta segunda-feira disseram ter armazenado água para garantir o suficiente para suas necessidades básicas. Lílian Barbosa, cozinheira, tem dois filhos pequenos e disse que guardou água onde conseguiu. "A primeira coisa que eu fiz foi encher todas as garrafinhas PET's que eu tinha com água e os baldes também. Tenho filho pequeno que precisa trocar a fralda, limpar, fazer comida, então, eu precisei estocar”, disse Lílian.

O professor Manoel Alves acha impossível não estocar água neste período de restrição. “Em um primeiro momento, todo mundo vai ficar com medo e vai armazenar. Não tem como tirar água da população. Só que é preciso cuidado: tampar bem as caixas e baldes”, explicou.

Caixas de água

Outra consequência do racionamento foi o aumento da procura por caixas de água. Em uma das maiores lojas de materiais de construção da cidade-satélite de Ceilândia, apenas no último fim de semana foram vendidas 700 caixas de 500 litros, sendo que a média mensal é de 110 caixas.

Segundo o gerente de compras do local, Joaquim Evangelista, o estoque já acabou e o novo já virá com aumento. “Um novo pedido chegará na quarta-feira e já virá com aumento. Nós vamos passar a caixa que custava R$134,90 para R$159,90. Nossa intenção era manter o preço, mas não será possível,” justificou.

A Caesb já divulgou um calendário com a previsão de cortes até o próximo domingo. O calendário completo está no site da companhia.

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