Hackers mudam opção de curso de aluna nota mil para produção de cachaça

Terezinha Gayoso, 23 anos, nota máxima na prova de redação, disse que só viu a alteração na manhã desta terça-feira

Por O Dia

Estudante teve conta no SISU hackeada Reprodução Facebook

Rio - Uma estudante nota mil na redação do Enem teve a sua conta no Sisu invadida por hackers que mudaram sua opção de curso de medicina para produção de Cachaça. O caso aconteceu nesta segunda-feira, mas Terezinha Gayoso, de 23 anos, teria percebido a invasão apenas hoje.

À revista Época, a candidata que tirou nota máxima na redação do vestibular foi inscrita pelos hackers no curso do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), em Salinas, disse que não conseguia acreditar em tal maldade.

De acordo com informações do portal UOL, usuários de um fórum anônimo na internet planejaram a ação e brincaram com a reação dos estudantes quando descobrissem. "Arranje uma conta CadSUS [banco de dados cadastrados no SUS] ou qualquer site de consulta que delivere o CPF. Entre com a nova senha no site do Sisu. Enjoe de ver o vestibulando maluco por ter seu curso trocado no último dia", postou um dos usuários.

O nome da aluna aparece na lista de aprovados do curso de Produção de CachaçaReprodução Internet

Outros estudantes também relataram ter sofrido o com a invasão. Procurado, o Ministério da Educação (MEC), afirmou em nota que "não foi detectada nenhuma ocorrência de segurança no ambiente do MEC ou no do Inep que tenha provocado um acesso indevido a informações de estudantes cadastrados. Além disso, até o momento, também não houve reclamação por incidente de segurança".

Em nota, o Ministério da Educação informou que os sistemas do MEC e do Inep não registraram, até o momento, indício de acesso indevido a informações de estudantes cadastrados, que configure incidente de segurança. Ainda segundo o orgão, há relatos na imprensa de casos pontuais de acesso indevido a dados pessoais de candidatos, que teriam possibilitado mudança de senha e de dados de inscrição, como a opção de curso.

O governo ainda ressaltou que a senha é sigilosa e só pode ser alterada pelo candidato ou por alguém que tenha acesso indevidamente a dados pessoais do candidato. De acordo com o órgão, os casos individuais que forem identificados e informados ao MEC, como suposta mudança indevida de senha e violação de dados, serão remetidos para investigação da Polícia Federal. 

Sobre os casos das estudantes relatados nesta quarta-feira, o Ministério da Educação esclareceu que a candidata Gabriela de de Souza Ribeiro — a candidata que alega ter tirado nota mil na redação do Enem 2016 — na verdade, obteve 460 pontos. De acordo com o gabinete, constam nos registros do Sisu acessos com os dados da candidata nos dias 24 e 29 de janeiro, respectivamente, às 11h30 e 12h33, e em nenhum deles foi realizada inscrição em qualquer curso.

Já no caso de Terezinha Gomes Loureiro Gayoso, segundo o órgão, constam nos registros do Sisu acessos nos dias 24 e 29 de janeiro, respectivamente, às 12h15 e 22h12. O sistema também apresenta três tentativas de acessos sem sucesso (no dia 24 de janeiro, sendo dois deles às 20h06 e o último às 20h07).

O Ministério da Educação informou que a única opção de escolha da candidata foi no curso de produção de cachaça do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais – Campus Salinas, realizada no dia 29 de janeiro às 22h14.

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