Faculdade de Direito da USP aprova uso do sistema de cotas raciais

30% das vagas serão reservadas para estudantes autodeclarados pretos, pardos e indígenas

Por O Dia

São paulo - A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) aprovou nesta quinta-feira a ampliação da oferta de vagas para alunos de escolas públicas e, pela primeira vez, a reserva de lugares para pretos, pardos e indígenas (PPIs). Também foi aprovado novo projeto pedagógico para o curso de graduação, em que apenas dois terços das disciplinas serão obrigatórias.

Desde 2015 a faculdade destina 20% de suas 460 vagas para a seleção pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para alunos de escola pública. Para o próximo vestibular, 30% das vagas serão reservadas para alunos oriundos de escola pública - sendo 20% para autodeclarados PPIs e 10% para o restante.

Considerada uma das melhores faculdades públicas do Brasil%2C a USP vai adotar cotas raciais a partir do ano que vem para o curso de Direito. Divulgação/USP

"A escola é pública e é nossa função, em um país com tantas distorções, ter essa reserva. Minha preocupação é apenas com a permanência desses alunos em São Paulo", disse José Rogério Tucci, diretor da faculdade.

O novo projeto pedagógico ainda deve passar pela avaliação do Conselho de Graduação da USP, mas a expectativa é de que comece a vigorar em 2018. Segundo Tucci, a mudança era necessária para modernizar o curso de graduação. "Não podíamos ficar com aquela grade antiquada". 

Estudante de escola pública é primeiro lugar na USP

A estudante Bruna Sena, uma menina negra, moradora da periferia de Ribeirão Preto (SP), filha de uma caixa de supermercado e que sempre estudou em escola pública foi a primeira colocada do vestibular de Medicina da USP, considerado o mais difícil do país. 

Dinália Sena, de 50 anos, mãe de Bruna, de 17, contou ao Jornal Folha de São Paul está com medo da filha sofre preconceito. “Por favor, coloque no jornal que tenho medo dos racistas. Ela vai ser o 1% negro e pobre no meio dos brancos e ricos da faculdade”. 

O fato rendeu comentários que criticam uma frase que a menina publicou nas redes sociais, “A casa-grande surta quando a senzala vira médica” — na verdade, uma citação de frase dita por outra estudante de medicina negra, Suzane da Silva, no ano passado. A frase dividiu opiniões dos internautas.

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