Lula fala sobre lista de Fachin, delações e crava: 'Vou brigar para voltar'

Ex-presidente concedeu entrevista se defendendo das acusações dos ex-executivos da Odebrecht e dizendo que 'quer fazer muito mais'

Por O Dia

Bahia - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu-se, nesta quinta-feira, das acusações feitas em delação pelos ex-executivos do grupo Odebrecht e deixou claro que, mesmo não sabendo o que vai lhe acontecer, está no páreo para disputar novamente a presidência da República nas eleições gerais de 2018

O ex-presidente Lula se defendeu das acusações da OdebrechtDivulgação / Instituto Lula

"Não sei o que vai acontecer comigo, mas estou na disputa e vou provar que este País pode voltar a ser feliz", disse o petista à Rádio Metrópole de Salvador. A entrevista foi divulgada nas páginas de Lula nas redes sociais. O ex-presidente mandou um recado aos adversários: "Podem ficar certos que eu vou brigar pra voltar, pra fazer muito mais, porque já fiz este País ser quase a quinta economia do mundo."

Indagado como recebeu as delações da Odebrecht, cujos vídeos e transcrições foram liberados a público nesta quarta-feira, 12, após o levantamento do sigilo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, Lula disse que há dois anos não consegue passar um dia sem ver "uma denúncia, uma leviandade, uma mentira" envolvendo o seu nome. Mas disse estar tranquilo com a situação e que terá a oportunidade, no dia 3 de maio, no depoimento que prestará ao juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro, para esclarecer todos os fatos.

O petista classificou de "absurdas" e "inverossímeis" as acusações feitas pelos delatores da Odebrecht, dizendo que tudo precisa ser provado. "Eu não vou rir nem vou chorar. Vou analisar corretamente, vou conversar com os advogados, vou ler cada peça do processo, pra que a gente possa chegar no dia certo claramente e com segurança."

"Eu desafio qualquer empresário a dizer que Lula pediu R$ 10. Não posso perder a cabeça com uma coisa dessas, estou tranquilo, vou me preparar para o meu depoimento no dia 3." E frisou que mais grave do que uma eventual prisão sua foi "o golpe" que levou ao poder "alguém (Michel Temer)" que vem desmontando conquistas históricas da classe trabalhadora.

"Eu acho que o que está por detrás de tudo isso é tentar encontrar uma pulga para evitar que Lula seja candidato em 2018. É isso que está em jogo." E disse que, ao contrário do que pensam seus adversários - que isso poderá lhe desanimar -, cada acusação que recebe mexe mais com sua honra e brio e lhe dá muito mais disposição de brigar. "Pode me bater. Quem nasceu em Garanhuns, como eu nasci, e não morreu de fome não tem medo de nenhuma adversidade. Enfrentarei cada uma delas de cabeça erguida. E meu maior legado é a minha honra, isso ninguém me tira."

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