FHC: acusações contra Lula podem virar 'arma de campanha'

Após participar do fórum, na capital paulista, Fernando Henrique minimizou a liderança do petista, 'pesquisa fora de época não é pesquisa'

Por O Dia

Brasília - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que as acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) podem virar arma de campanha e que outros candidatos irão crescer na disputa para 2018. Diante da liderança do petista em pesquisas eleitorais, FHC disse que não acha Lula um "bicho-papão" porque o venceu duas vezes, em 1994 e 1998.

FHC durante visita a Lula em hospitalDivulgação / Ricardo Stuckert

Após participar do Fórum Espanha-Brasil, na capital paulista, o líder tucano relativizou a liderança de Lula em sondagens de intenção de voto para 2018. "Pesquisa fora de época não é pesquisa, é projeção um pouco no vazio", disse. FHC falou ainda que, diante das acusações que o ex-presidente petista enfrenta, tudo o que se fala pode virar arma de campanha. "Se for verdade tudo que estão dizendo sobre o Lula, isso vira uma arma de campanha. E, sendo uma arma e campanha, afeta também a votação. Eu ganhei do Lula duas vezes, não acho o Lula um bicho-papão", disse.

As declarações do ex-presidente tucano ocorrem no mesmo dia em que Lula promove um seminário em Brasília se defendendo das acusações nos processos da Operação Lava Jato e afirmando que está tranquilo sobre o depoimento que vai prestar ao juiz federal Sérgio Moro. "Eu não sei se ele vai murchar, mas acho que outros vão crescer", afirmou FHC quando perguntado se as denúncias iriam desgastar Lula até as eleições.

Reformas

Fernando Henrique Cardoso disse ainda acreditar que o presidente Michel Temer (PMDB) consiga aprovar as reformas que deseja até o fim do mandato, mas que as propostas dificilmente irão passar da forma como o peemedebista enviou ao Congresso. "Nenhum presidente consegue tudo que deseja, eu não consegui. Mas a gente consegue alguma coisa. O Brasil está em um momento tal que é necessário que medidas sejam tomadas", disse.

O ex-presidente afirmou que sempre haverá uma adequação no Congresso em relação às propostas do governo. "O Congresso nunca vai votar tudo o que o governo quer, mas o Congresso tem que estar atento não à próxima eleição, mas à sobrevivência do País " "Portanto, vai ter que fazer a reforma, acho que vai fazer", disse.

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