Amigo de desaparecido no Acre assinou contrato antes do caso vir à tona

No documento, que tem firma reconhecida, Marcelo Souza Ferreira e Bruno Borges definem partilha de lucro com vendas de livros

Por O Dia

Rio Branco - Um dos amigos de Bruno Borges — o estudante de psicologia que desapareceu há pouco mais de dois meses em Rio Branco, no Acre — foi indiciado por falso testemunho. Para a Polícia Civil, o surgimento desse novo capítulo da história de Bruno reforça a suspeitas de que o desaparecimento e todos os detalhes do caso, como os textos criptografados e todos os mistérios que o cercam, foram arquitetados com antecedência — incluindo a assinatura de um contrato de partilha de lucro com vendas de livros.

O amigo de Bruno Borges tinha um contrato com firma reconhecida que lhe dá direito a 15% do lucro com os livros Reprodução Internet

Marcelo Souza Ferreira, de 22 anos, foi ouvido pelo delegado do Departamento de Inteligência de Rio Branco, Alcino Souza Junior. 

Na rede social de Bruno%2C parentes ainda publicam mensagens na esperança de que ele esteja lendoReprodução Facebook

De acordo com a Polícia CIvil, foi encontrado na casa de Marcelo um documento, com firma reconhecida, assinado por ele e pelo estudante desaparecido no dia 10 de março deste ano, ou seja, 17 dias antes do sumiço de Bruno. O contrato garantiria ao rapaz 15% de todo o lucro obtido com a venda das obras escritas por Bruno. Os policiais também encontraram dois cigarros de maconha. Em seguida, Marcelo foi preso e levado para prestar depoimento por falso testemunho já que, em seu primeiro relato, negou qualquer participação no sumiço do estudante 

Os agentes também estiveram na casa de Márcio Gaiote, outro amigo de Bruno, mas ele não foi encontrado. No entanto, os policiais localizaram no local parte da mobília do quarto de Bruno. 

No contrato, uma das cláusulas deixa claro que Marcelo receberia todo dia 5 de cada mês valor de sua parte nos lucros. Outra informação que chama a atenção é que o "Autor", que é Bruno, inocenta o rapaz de qualquer responsabilidade cíveis, trabalhistas ou criminais que possam ocorrer por causa do lançamento das obras. Ainda no documento, Marcelo é obrigado a manter sigilo sobre o acordo  por "pelo menos três anos, sob pena de enquadramento no descumprimento contratual".

No mandado de busca, o  telefone do rapaz foi recolhido e todas as informações contidas nele estão sendo periciadas, informou a assessoria da polícia. Os agentes ainda acredita na localização do paradeiro de Bruno e nenhuma linha de investigação foi excluída.

Relembre o caso

Bruno Borges, 24 anos, desapareceu no dia 27 de março, em Rio Branco, no Acre. Estudante de Psicologia, o jovem participava de um almoço em família quando foi visto pela última vez. Segundo sua família, semanas antes, Bruno já havia vivido período de reclusão dentro de seu próprio quarto.

O quarto do rapaz é mais um motivo para o mistério. Erudito, com interesse pela filosofia, a família acredita que Bruno tenta continuar trabalho do teólogo Italiano Giordano Bruno (1548-1600), por quem o estudante tem grande interesse.

Em seu quarto foram encontrados os 14 livros escritos a mão e criptografados, além de uma estátua de Giordano, avaliada em R$ 7 mil.

Reportagem do estagiário Lucas Cardoso, sob supervisão de Thiago Antunes

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