Para salvar Temer, vale até suspender o recesso

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia já admite convocar parlamentares no período de férias para cumprir logo trâmite de abertura ou não de inquérito

Por O Dia

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu ontem a possibilidade de o Congresso suspender o recesso parlamentar para analisar um pedido de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. Ele explicou que isso seria definido numa consulta ao plenário.

Rodrigo Maio desconversou e jogou a decisão para o plenário%2C mas estratégia é votar logo o pedidoLUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS/13.06.17

“É meio óbvio. Se tem uma denúncia contra o presidente que precisa ser votada... Aí, de repente, tem o recesso e para a eventual votação por 15 dias. Vamos voltar a tratar disso depois de 15 dias? Parar no meio do recesso, é claro que não tem condição. Tem que começar uma eventual discussão sobre esse assunto, tendo início meio e fim. Para o Brasil, isso é fundamental”, disse.

O presidente da Câmara afirmou, no entanto, que a decisão não depende apenas dele. “Isso não depende do presidente da Câmara, mas do Plenário. Vamos aguardar. Estamos ainda na fase das hipóteses. Quando acontecer tratamos do resto”, explicou.
Assim que for apresentada pela PGR, a denúncia deve ser enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Segundo o regimento interno da Casa, o colegiado terá 15 sessões para analisar o caso, sendo dez para a apresentação da defesa do presidente e, após isso, mais cinco para o relator apresentar seu parecer.

Após ser votada no colegiado, a denúncia tem de ser apreciada no plenário. Todos esses procedimentos levariam, em condições normais, ao menos um mês e meio. A recomendação do Palácio do Planalto, porém, é não usar todo o período permitido para a defesa. Maia negou que pretenda fazer qualquer tipo de alteração na tramitação.

CHIADEIRA

“Minha opinião é que, se a denúncia chegar, vai tramitar na base regimental, não vamos suprimir nada até porque não pode: 10 sessões para a defesa do presidente e cinco sessões para o relator. Vota na comissão e depois de duas sessões pode votar em plenário”, afirmou.

Líderes governistas dizem, porém, que há forte resistência dos parlamentares a suspender o recesso de julho, mês de férias escolares. Já o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirmou que o período de férias está mantido entre os dias 18 e 31 de julho.

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