Recém-nascida fica 20 minutos sem sinais vitais e volta após batismo

Complicações levaram a menina a sofrer três paradas cardíacas. 'eu me ajoelhei, comecei a orar bastante', contou o pai, Afonso Valladão

Por O Dia

São Paulo - Uma bebê que nasceu com uma rara síndrome, chamada de Argininosuccinic aciduria (ASA), que afeta o ciclo da ureia, ficou sem sinais vitais durante 20 minutos e voltou a vida após batismo. O caso aconteceu em um hospital Santa Lúcia, Brasília.

A suspeita da doença foi sugerida pelos pais, que estranharam o fato da filha não parar de chorar. Entretanto, a equipe do hospital  não aceitou fazer exames, por considerá-los injustificáveis.  

"Quem deu a possibilidade ao ciclo da ureia fomos nós. Aí o hospital falou 'é, realmente pode ser', mas nesse meio tempo a Alice entrou em coma e foi entubada", relembra o pai, Afonso Valladão. Por isso, o casal decidiu trazer Alice para São Paulo, para que fosse tratada no Hospital Sírio Libanês.

Bebê ficou sem sinais vitais durante 20 minutos. Foram três paradas cardíacas após complicações médicasReprodução Facebook / Afonso Valladão

"Chegamos aqui no Sírio e eles fizeram o teste de amônia nela, deu altíssimo: 770. O normal é abaixo de 200, fica em torno de 50. Acima de 200 causa coma", explica Valladão. Neste momento, o cérebro da menina estava começando a ser afetado. Ao passar por uma hemodiálise de mais de dez horas, Alice começou a acordar. No entanto, aconteceram complicações e um cateter fez com que o bombeamento do sangue parasse. O caso ocorreu no dia 24 de maio

Foi, então, que a menina sofreu três paradas cardíacas. "Os médicos estavam tentando reanimá-la, eu me ajoelhei no chão, comecei a orar bastante, eu estava no corredor. E pedi à misericórdia de Deus. Eu não acreditava, mas não tinha pra onde correr."

Neste momento, o padre Fernando passava pelo corredor onde Valladão estava ajoelhado. "[Ele] viu que eu estava segurando uma cruz e perguntou se ele poderia batizar minha filha", relata No entanto, o batizado só poderia ocorrer se a menina estivesse viva.

"Ele foi e acabou batizando ela entre um ataque cardíaco e outro Enquanto isso, eu ainda estava ajoelhado, do lado de fora, orando por ela. Ela realmente voltou", afirma o pai. Desde então, tanto Valladão quanto sua mulher, mãe de Alice, têm rezado diariamente e passaram a acreditar em Deus. "No momento eu sou [mais religioso]. Antes eu tinha uma crença no ser superior, mas eu não sabia. Hoje em dia eu creio em Deus."

Afonso não tem certeza se o batizado foi o que realmente ajudou sua filha a recuperar a vida, mas sente que a presença do padre, naquele momento, o ajudou: "porque eu pedi para Deus um sinal".

Alice segue internada no Hospital Sírio Libanês e está mais estável. Ela precisa de medicamentos que não existem no País e o casal tem de desembolsar R$ 4 mil a cada duas semanas para conseguí-lo. Além disso, a menina precisa de um leite especial, cuja lata custa 200 euros.

Para conseguir cobrir todos os gastos, os pais criaram uma vaquinha online e esperam arrecadar R$ 300 mil. Futuramente, quando estiver em estado completamente estabilizado e engordar, Alice terá que se submeter a um transplante de fígado.

Com informações do Estadão Conteúdo

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