Negado habeas corpus a homem que ajudou tatuador a torturar menor infrator

Ronildo Moreira de Araújo trancou adolescente no quarto e o obrigou a ficar sentado até tatuador acabar de escrever 'eu sou ladrão e vacilão'

Por O Dia

São Paulo - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido liminar de liberdade para o homem que participou do crime que deixou um adolescente em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, com a testa tatuada com a frase 'eu sou ladrão e vacilão'. A decisão foi publicada nesta segunda-feira. Ronildo Moreira de Araújo foi preso em flagrante. 

Junto com outro homem, Araújo trancou o adolescente em um quarto e o obrigou a ficar sentado em uma cadeira até que o procedimento fosse concluído. A ação foi filmada e divulgada nas redes sociais.

A defesa de Araújo alegou, no pedido de habeas corpus, não haver elementos concretos que justificassem a manutenção do cárcere provisório.

Mas a ministra Laurita Vaz lembrou que a Justiça de São Paulo, ao negar um primeiro pedido de habeas corpus, já havia ressaltado a gravidade dos crimes e destacado que as imagens mostraram a incapacidade de o adolescente resistir.

"Assim, a prisão preventiva do paciente não padece de falta de fundamentação. Pelo contrário, demonstra o decreto constritivo a necessidade da medida, mormente pela garantia da ordem pública, dada a crueldade com que as ações do agente foram praticadas e as circunstâncias fáticas do caso, que denotam periculosidade e insensibilidade do paciente", concluiu a ministra ao indeferir o pedido.

Jovem ganhou vaquinha para remover marca

O coletivo Afroguerrilha criou uma campanha de financiamento coletivo na internet para pagar a remoção da tatuagem e custear o tratamento psicológico do jovem, que é usuário de drogas. Até ontem à noite, já tinham sido arrecadados R$ 19.982,66. 

O adolescente também negou ter roubado a bicicleta de um deficiente físico, como alegaram os dois homens que o torturaram. “Estava bêbado, esbarrei na bicicleta e ela caiu”, afirmou. 

Ameaças e muito ódio

O Afroguerrilha divulgou texto junto da campanha afirmando que o garoto de 17 anos “vive situação de pobreza e falta de condições grave. Além disso, ele passa por transtornos psicológicos causados pela dependência química”. O valor da “vaquinha” também será usado para custear este tratamento e o processo contra os tatuadores.

O criador da campanha online prefere não divulgar seu nome, alegando estar sofrendo ameaças. “Estou recebendo ameaças e mensagens de ódio”, afirmou em entrevista ao G1. Ele também afirmou que muitos tatuadores são ligados a grupos violentos.

Com informações da Agência Estado

Últimas de Brasil