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Advogado acusa desembargador de cobrar propina de R$ 700 mil

De acordo com ele, valor seria necessário para julgar favoravelmente uma ação na 1 Câmara de Direito Civil, de Santa Catarina

Por lucas.cardoso

Santa Catarina - O advogado Felisberto Odilon Córdova acusou o desembargador Eduardo Mattos Gallo Júnior, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, de cobrar propinas de R$ 700 mil para julgar favoravelmente uma ação na 1ª Câmara de Direito Civil. Córdova disse na sessão de quinta-feira, que 'o julgamento aqui é comprado'.

"Eu vou além, eu vou dizer que o julgamento que está acontecendo aqui é comprado. estou fazendo uma denuncia. Este cidadão foi abordado com uma proposta que vem do Rio de Janeiro para receber R$ 500 mil. Seriam, R$ 250 mil antes e R$ 250 mil depois e o descarado chegou a mandar para o nosso escritório uma contraproposta que poderíamos cobrir isto por R$ 700 mil. Eu insisto, isto aqui não é o Senado, não é a Câmara dos Deputados. Isso aqui é um Tribunal de Justiça, e é preciso que a moralidade surja e venha a termo, e que a promotoria inclusive assuma a investigação deste processo", gritou o advogado.

O desembargador reagiu enfaticamente, ainda durante a sessão, quando o advogado era retirado do julgamento, e disse que 'não vai admitir' que o presidente da Câmara da Corte 'não tome providências'. "Eu requeiro a prisão do advogado".

Enquanto saía da 1ª Câmara, o advogado retrucou chamando o magistrado de 'safado'. "Vamos os dois presos, que eu quero te quebrar a cara dentro da cela, vagabundo!", ameaçou o magistrado. 

O desembargador Alexandre d'Ivanenko, presidente em exercício do TJ de Santa Catarina, convocou uma reunião extraordinária do Tribunal Pleno para segunda-feira, às 14 horas. Depois, às 16h30, ele vai dar entrevista coletiva à imprensa.

Defesa

Com a palavra, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina

"A respeito do grave incidente ocorrido ontem (3/8), em sessão da sua 1ª Câmara de Direito Civil, durante o julgamento de agravo de instrumento em execução de sentença de honorários, movida por advogado, atuando em causa própria, oriundo de ação principal que tramitou na Comarca de Criciúma, o Tribunal de Justiça lamenta profundamente o inusitado episódio e destaca que está a merecer análise acurada no sentido do esclarecimento da verdade, já tendo sido instaurada investigação preliminar.

Por fim, reitera seu compromisso com a estrita observância da ordem jurídica e com os postulados éticos inerentes à atuação dos operadores do direito.

Florianópolis, 04 de agosto de 2017

Desembargador Alexandre d'Ivanenko

Presidente e.e do TJSC"

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