Escritora Clara Averbuck relata estupro em Uber: 'Virei estatística de novo'

Em 2016, ela também deu um depoimento sobre um estupro que sofreu aos 13 anos de idade

Por O Dia

Rio - A escritora gaúcha Clara Averbuck relatou nesta segunda-feira, em sua página no Facebook, ter sido estuprada por um motorista de Uber durante uma corrida. Na publicação, ela não especificou quando o estupro ocorreu, mas deu detalhes do crime, falou sobre seu estado de saúde e sobre a possibilidade de formalizar a denúncia. Mais de 7,6 mil pessoas reagiram ao post, que também já soma mais de mil compartilhamentos.

A escritora relatou o crime na manhã desta segunda-feira, em um post de FacebookReprodução Internet

"Virei estatística de novo. O nojento do motorista do Uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando 'a bêbada'. Estou machucada mas estou em casa e medicada para me acalmar", afirmou.

Contrariando orientações da Polícia Civil, a escritora não prestou queixa. "Estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa Delegacia da Mulher, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é quem tem que provar. Estou com o olho roxo e a culpa de ter bebido e me colocado em posição vulnerável não me larga. A culpa não é minha. Eu sei. O mundo é um lugar horrível pra ser mulher", relatou. 

Em nota, a Uber informou que o motorista foi banido da plataforma e afirmou que repudia o ocorrido, além de se colocarem à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. "Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher", afirmaram.

Depois do relato, outras mulheres deram seus depoimentos de casos de assédio e abuso, nos comentários e em novas publicações na rede social. Em 2015, também no Facebook, Clara Averbuck já havia relatado um estupro que sofreu na adolescência: "Quando eu fui estuprada por três homens, há 24 anos, aos 13 anos, não tinha funk, eu não morava na favela, eu não estava de shortinho. Foi numa festa de alunos de uma escola particular. O problema é enorme, é estrutural, é cultural, independe de classe social ou poder aquisitivo e está em TODOS os lugares", declarou. 

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