Lady Driver: aplicativo dribla o assédio com serviço só para mulheres

Empresa já tem cerca de 8 mil motoristas cadastradas em menos de seis meses. Funcionando apenas em São Paulo, serviço pretende se expandir para o Rio

Por O Dia

São Paulo - Está em funcionamento desde março deste ano em São Paulo o aplicativo Lady Driver, que funciona da mesma forma que outros apps de transporte, mas com um diferencial: só há motoristas mulheres e apenas o público feminino pode usar o serviço. Em menos de seis meses, a empresa já cadastrou cerca de 8 mil motoristas na capital e em Guarulhos, na Grande SP, e agora quer expandir o serviço para o Rio. 

Aplicativo de transporte de mulheres só para mulheres já tem mais de oito mil motoristas cadastradas em São PauloReprodução Facebook

A fundadora e hoje CEO da Lady Driver criou o serviço após ter sofrido assédio. "Ele (o motorista) me buscou na porta de casa e chegou a mudar o caminho. Cheguei bem, graças a Deus, mas comecei a pensar quantas mulheres passam por isso diariamente. A gente se sente mais segura e tranquila com outra mulher", disse Gabriela Correa, de 35 anos, que comanda a empresa, que tem 15 funcionários.

Ela destaca que o serviço acabou servindo para proteger as profissionais. "Era uma demanda das mulheres que dirigiam e para quem ninguém olhava. Valorizamos o trabalho delas", disse.

Gabriela diz que o aplicativo funciona como forma de chamar atenção para a causa. "As mulheres passam por situações difíceis com frequência, mas não falam, têm vergonha. O nosso trabalho serve para mostrar que temos voz, que o assédio não é uma coisa rara".

Escritora relata assédio no Uber

A escritora gaúcha Clara Averbuck relatou nesta segunda-feira, em sua página no Facebook, ter sido estuprada por um motorista de Uber durante uma corrida. Na publicação, ela não especificou quando o estupro ocorreu, mas deu detalhes do crime, falou sobre seu estado de saúde e sobre a possibilidade de formalizar a denúncia. Mais de 7,6 mil pessoas reagiram ao post, que também já soma mais de mil compartilhamentos.

"Virei estatística de novo. O nojento do motorista do Uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando 'a bêbada'. Estou machucada mas estou em casa e medicada para me acalmar", afirmou.

Contrariando orientações da Polícia Civil, a escritora não prestou queixa. "Estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa Delegacia da Mulher, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é quem tem que provar. Estou com o olho roxo e a culpa de ter bebido e me colocado em posição vulnerável não me larga. A culpa não é minha. Eu sei. O mundo é um lugar horrível pra ser mulher", relatou. 

Em nota, a Uber informou que o motorista foi banido da plataforma e afirmou que repudia o ocorrido, além de se colocarem à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. "Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher", afirmaram.

Com informações da Agência Estado

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